Uma barriga de pai

Conhecidas como barriguinha de cerveja, elas causam certa preocupação em muitos homens, principalmente após os 30 ou 40 anos. Entre os amigos, no futebol e até no meio familiar, são inevitáveis as brincadeiras e apelidos. Em homenagem ao Dia dos Pais, que será comemorado no próximo domingo, a TRIBUNA inicia hoje uma série de reportagens com os mais variados temas relacionados ao ‘chefe do lar’.

A primeira, de forma mais descontraída, traz o relato de alguns pais que viram a barriga aumentar um pouco de tamanho. Nada, portanto, que preocupe. Pelo menos entre aqueles que aceitaram conversar com a redação da TRIBUNA, já que alguns se mostraram mais sérios e nem quiseram tocar no assunto.

O agricultor de Luiziana, Lindinalvo Pedro dos Santos, 57 anos, a princípio ficou meio receoso, mas bastaram alguns minutos de conversa para ele se soltar e até brincar com a situação. Que nada, nem me preocupo. Nunca incomodou e até gosto de minha barriga. Ninguém nem faz brincadeira, disse ele, que é pai de nove filhos e manteve-se casado durante 37 anos. Há pouco tempo se divorciou, mas vive bastante tranquilo em um sítio, em Luiziana.

Ele conta que percebeu a barriga aumentar de tamanho há pelo menos dez anos. Mas não atribui o aumento do peso à cerveja. Tomo pouca cerveja, afirma. Mas Santos não descuida da saúde e procura manter-se em forma, fazendo caminhadas. Não me considero gordo, mas me cuido. Caminho pelo menos dez quilômetros, quase todos os dias. Sei que faz bem para a saúde, dá o exemplo.

O vendedor de sorvetes Antonio dos Santos Severino, 62 anos, também sentiu a diferença na balança com o passar dos anos. Quando tinha a metade da idade, ele lembra que não passava dos 50 quilos. Hoje já estou passando dos 65, por causa da barriga. Trabalhei muito tempo na roça e na época o corpo era bem mais fino, recorda.

Empurrando um carrinho de sorvete, a barriga atrapalha Severino que já sente dores nas costas quando caminha o dia todo. O peso da barriga acaba forçando as costas e sinto dores. Já nem trabalho tanto, como antes, apenas nos finais de semana e feriados para não forçar tanto, diz ele. Severino tem três filhos e quatro netos. Portanto, é mais que um pai. Ele conta que alguns amigos brincam quando o encontram na rua, mas sem nenhuma maldade. Alguns me chamam de gordo, mas tudo numa boa. Nada por maldade, assegura.

Peleteco em ‘forma’

Muito conhecido em Campo Mourão, Walter Toneli, o popular Peteleco é outro que não ‘esquenta a cabeça’ com a barriga. Ganhou um pouco de peso, mas não perdeu o humor, sua marca registrada entre os amigos. E olha que Peteleco tem motivos para aumentar a barriga, afinal ele é dono de um restaurante, cozinha como poucos na cidade e coordena o preparo do Carneiro no Buraco, o prato típico de Campo Mourão, sob a responsabilidade da Associação Panela.

As pessoas pensam que como muito, mas não. Preparo muitas festas e vou beliscando. No final acabo bebendo um pouco mais de cerveja, mas nada de exagero, conta. Aos 50 anos, ele tem um casal de filhos.

Membro da Associação Panela, joga bola duas vezes por semana, mas acha que é pouco. Já joguei bola diariamente, quando era mais novo, sempre como goleiro. Na época a barriga nem aparecia, mas hoje até me poupo mais para jogar na associação com os amigos.

A barriga para ele não é problema. Peteleco é um homem forte, da cabeça aos pés. O duro é quando a pessoa tem barriga grande e as pernas finas, o que não é o meu caso. No meu caso acho que é genético. Minha mãe era bem gorda, assim como algumas tias, comenta ele. São três exemplos de pais trabalhadores, responsáveis e que não dão ‘bola’ para a barriga.

Conhece alguma história interessante? Nos envie! Os relatos selecionados serão publicados na versão impressa do jornal, na quarta-feira (15). Email: [email protected]