Fundo ajudará vítimas de violência doméstica

Está em votação na Câmara dos Deputados uma proposta que cria um Fundo Nacional de Amparo a Mulheres Agredidas (FNAMA). O auxílio financeiro e treinamento profissional já foi aprovado pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. Na avaliação da secretária da Mulher de Campo Mourão, o valor pode ajudar àquelas que realmente querem começar uma nova vida mas não tem estrutura.

O auxílio será de valor igual ou superior a R$ 622,00, pago por até 12 meses. Os valores podem ser reajustados anualmente. O fundo também pretende viabilizar a oferta de treinamento profissional para recolocação das vítimas de agressão no mercado de trabalho.

Segundo a relatora da matéria, senadora Vanessa Grazziotin, a proposta vai significar não somente uma libertação econômica como também uma oportunidade para a reconstrução de suas vidas. Além de doações de pessoas físicas e jurídicas, e contribuições governamentais e de organizações internacionais, o fundo contará com 10% da arrecadação anual de multas penais.

Todo apoio que a pessoa consiga ajuda a sair da situação, mas é preciso que ela queira. Muitas ficam sem saber como recomeçar, as vezes com o filho pequeno e não tem um real no bolso. Nestes casos vai fazer um bem muito grande para a vida dessa mulher, relata Kelly Matos Dutra, secretária da mulher. Segundo ela, caso seja aprovada mesma, a medida irá servir para que essas mulheres agredidas saiam do cativeiro.

É preciso querer

Embora considere a medida proveitosa, Kelly lembra que não adianta apenas auxílio financeiro. Em alguns casos, mesmo que a mulher tenha uma profissão ela não quer se separar, deseja apenas que o marido mude. Ela faz um tipo de chantagem, mas dizem que querem ficar com o companheiro, conta. 

Machismo continua ‘em alta’

Mesmo com todas as conquistas femininas, a secretária lembrou que o machismo ainda existe e se manifesta na proibição de independência por parte de alguns homens. Eles fazem isso por medo. Acham que se a mulher tiver um círculo de amigas e um trabalho irá perceber que não precisa dele e vai deixá-lo. Nestes casos, a dependência do marido é um problema, coloca ao explicar que a insegurança deles se traduz em discussões, gritos e mesmo agressões físicas.

Casa Abrigo e Centro de Referência são alternativas

Kelly explicou que em Campo Mourão, o trabalho desenvolvido em conjunto entre a Delegacia da Mulher, Casa Abrigo e o Centro de Referência tem ajudado as vítimas de agressão. Fazemos o acompanhamento psicológico e são oferecidos diversos cursos em conjunto com a secretaria de Ação Social e o Senac. Não é só tirar de casa, mostramos um caminho para elas.

Uma das vantagens no atendimento, de acordo com ela, é que a convivência com as instrutoras e as demais participantes dos clubes de mães já traz novas ideias a pessoa que está fragilizada. Convivendo com outras pessoas e compartilhando experiência acaba mudando a cabeça delas. Algumas conseguem sair da depressão e outras passam a ver como era errado o comportamento do marido, relata. Para ela, o que é preciso não é encontrar o valor da mulher. Isso todas já tem, o que falta é ela reconhecer que tem valor e fazer com que o mundo a respeite, completa.