Após denúncia oferecida pelo Ministério Público (MP) de Iretama, a justiça interditou um abatedouro no município. Segundo decisão, o estabelecimento, administrado pelo frigorífico Frigotam, possuía licença ambiental, mas a empresa estava operando em instalações inadequadas, desrespeitando as normas de vigilância sanitária e higiene no manejo dos produtos, colocando em risco a saúde do consumidor. A reportagem tentou falar com os responsáveis pelo estabelecimento, mas ninguém foi localizado para comentar o caso. Segundo informações, a fiscalização do abatedouro compete à Vigilância Sanitária do município. A TRIBUNA tentou contato na prefeitura, mas não havia expediente ontem.
A ação que resultou na interdição foi apresentada pelo MP, com base em relatório de vistoria emitido pela Agência Agropecuária do Estado do Paraná (Adapar), sede de Campo Mourão. Segundo informações, o local só voltará a funcionar após as adequações necessárias e cumprimentos das exigências sanitárias apontadas no relatório técnico da Adapar. Caso a decisão seja descumprida, os proprietários do abatedouro estarão sujeitos ao pagamento de multa diária no valor de R$ 10 mil.
Em 2009, o MP já havia encontrado irregularidades semelhantes no mesmo estabelecimento após inspeção da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (SEAB). Na ocasião, foram feitas fotografias apontando irregularidades como falta de higiene, depósito inadequado de produtos e resíduos, presença de animais domésticos, materiais contaminantes no entorno do prédio, entre outros.
Apesar de a fiscalização do frigorífico ser de competência da vigilância municipal, a médica veterinária, Leide Dantas Juliane, fiscal de Defesa Agropecuária da Adapar, informou que os técnicos do órgão estiverem no local a pedido do MP. A fiscalização da Adapar é de abatedouros que realizam comércio intermunicipal, comentou.
Segundo a veterinária, os trabalhos de fiscalização da Adapar aos abatedouros têm objetivo de exigir das empresas, controle de qualidade na produção das mercadorias, sob penas previstas em lei, em caso de descumprimento. Ela acrescentou que na região há existência de abatedouros clandestinos. Neste caso, segundo a veterinária, compete às autoridades municipais identificar os estabelecimentos ilegais e denunciar à justiça para medidas cabíveis. Em uns alguns municípios existem mais e em outros menos, ressaltou. Segundo ela, o abate de animais em locais impróprios coloca a saúde humana em risco, pois a carne pode ser contaminada.
Roncador
Em setembro deste ano, um abatedouro de Roncador administrado pelo mesmo frigorífico também foi interditado pela Justiça, após ação civil pública ajuizada pelo MP. O estabelecimento funcionava sem licenciamento ambiental.
Também em 2009, o mesmo abatedouro foi fechado após denúncia da prática de crimes de crueldade contra animais, fraude no uso de sinal público, emprego de métodos condenados pelas autoridades sanitárias para o abate dos animais, como marreta, e aposição indevida de carimbo de inspeção sanitária. Na ocasião, o gerente do estabelecimento foi preso em flagrante pelos crimes mencionados e encaminhado à delegacia de Polícia Civil de Iretama.