A partir de 2014, as normas para a produção de leite ficarão mais rígidas no Paraná. Foram editadas três portarias pela Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) que entram em vigor entre janeiro e junho para garantir mais qualidade para a cadeia. A primeira é a exigência de vacinação contra brucelose – aliada a multa – para animais acima de nove meses. Além do atestado de vacinação, só poderão fornecer leite os produtores que comprovarem os exames de brucelose e tuberculose de todo o rebanho leiteiro. A última medida proíbe os laticínios de receber ou comercializar produtos com origem em propriedades que não apresentarem os laudos e atestados.
Somente entre os pequenos agricultores familiares da região de Campo Mourão, mais de seis mil estão envolvidos com a cadeia produtiva leiteira. O objetivo das novas normas é tornar o Estado livre de zoonoses, com a comercialização de leite de qualidade que garanta a saúde da população. O Programa Estadual de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose (PECEBT) já existe no Paraná desde 2004, pela resolução nº 23. Mas apesar disso, o índice de ocorrências de brucelose ainda é alto. Na região, 2,4% dos animais tem diagnóstico positivo, percentual bem acima da média do Estado que é de 1,7% dos animais. A brucelose é uma zoonose, ou seja, uma doença causada por bactérias e que pode ser transmitida para o ser humano.
Até agora, o produto mais indicado disponível no mercado era a vacina conhecida como B19, aplicada somente uma vez na vida do animal, entre os três a oito meses de idade. Os animais que não forem vacinados no período recomendado não podem mais receber o medicamento, sob o risco do resultado do exame dar falso positivo. A alternativa que deverá ser adotada será a obrigatoriedade da vacina RB51, que pode ser aplicada em animais acima dos nove meses – embora a prioridade continue sendo vacinar os animais até os oito meses de idade com a B19. Caso o produtor deixe passar esse período, será autuado e multado e obrigatoriamente terá que recorrer à RB51 e apresentar o atestado de vacinação.
A segunda portaria, que só começa a vigorar em 1º de junho, determina que só poderão fornecer leite a laticínios os produtores que comprovarem os exames de brucelose e tuberculose de todo o rebanho leiteiro, além do atestado de vacinação contra a brucelose. A doença, causada por uma bactéria, pode resultar em aborto de fêmeas e infertilidade em machos. Inclusive com a contaminação de humanos, que pode ocorrer tanto no contato direto com o animal contaminado como na ingestão de leite não pasteurizado de animais doentes.
Se os produtores são obrigados a comprovar os exames, cabe aos laticínios exigir os exames do rebanho. A partir de junho, não se poderá mais receber e comercializar o produto de locais que não comprovarem os exames de brucelose e tuberculose e a vacinação contra a brucelose.
Tuberculose
Embora o programa fale também sobre a erradicação da tuberculose bovina, ainda não há vacina para a doença. Os casos suspeitos são acompanhados e quando confirmados, rapidamente abatidos. Com isso, diminui a circulação do agente causador e as chances de outros rebanhos serem infectados. Para o gado, ambas as doenças não possuem cura, sendo obrigatório o sacrifício sanitário dos animais que apresentarem reagentes positivos.
Barbosa Ferraz revitaliza cadeia produtiva do leite
Na última semana, a prefeitura de Barbosa Ferraz e o Instituto Emater iniciaram um trabalho de revitalização da bovinocultura leiteira. No município, a atividade tem importância econômica e social grande, sendo principal fonte de renda de muitos produtores rurais. O primeiro dos eventos programados foi um encontro de produtores, com a participação de mais de 60 pessoas.
A partir de fevereiro serão realizados outros eventos com periodicidade mensal. Neles, os assuntos abordarão a sustentabilidade da atividade e a busca auxiliar a tomada de decisão do produtor com maior eficiência, dentro das novas tecnologias da pesquisa. De acordo com o prefeito, Gílson Cassol, a expectativa é que a parceria traga bons resultados. A administração tem grande parceria para todos os projetos de apoio aos agricultores familiares, na atividade leiteira, além do apoio em treinamento e capacitação dos produtores. Segundo ele, está prevista a instalação de resfriadores em pontos estratégicos. Com isso, se busca beneficiar um grande número de produtores, organizando e incentivando o aumento da produtividade e qualidade do leite.