A Copel tem realizado entre três ou quatro substituições de postes por semana em Campo Mourão. Os abalroamentos por acidentes de trânsito são responsáveis pela maioria das quebras dos anteparos. O custo médio para restaurar o funcionamento da rede elétrica a cada poste danificado gira em torno de R$ 1,5 mil (dependendo do tipo de acidente), valor que é cobrado do responsável pela colisão. Esse cálculo leva em conta os custos de reposição do material danificado, de deslocamento e da mão de obra necessária para os reparos. Além do prejuízo, essas ocorrências também causam interrupções no fornecimento de energia.
Há 15 dias, uma carreta modelo bitrem, carregada com farelo de trigo desceu desgovernada a Rua Brasil, atravessou a Avenida Afonso Botelho e derrubou um poste, causando estragos também no muro de um sobrado. O motorista havia deixado o veículo estacionado em frente a um moinho de trigo, na esquina das duas vias. O acidente ocorreu por volta das 11h30 e a energia só foi restabelecida naquela área às 2 horas da manhã do dia seguinte. Em menos de 24 horas após esse caso, um outro acidente no cruzamento da Rua Mato Grosso com a Avenida João Bento, colocou outro poste abaixo. Após colisão entre um GM/Astra e um VW/Gol, um dos veículos bateu em um poste de energia, que acabou quebrando-se ao meio. Apesar da violência do impacto ninguém se feriu com gravidade.
Para o gerente comercial da agência da Copel de Campo Mourão, Edson Antonio Ferraz Afonso em casos como este os transtornos vão muito além dos prejuízos materiais. Em termos de Copel, além do prejuízo por não vender a energia naquele período de desligamento, tem a questão do conceito. Quando falta energia muita gente não sabe que o problema foi causado por um acidente e fica zangado. Ligam reclamando e o conceito da empresa cai muito, lamenta Afonso, que chega a brincar com a situação: É incrível, mas ninguém acerta as árvores, apenas os postes.
A falta de cuidado ao volante, aliada com a imperícia e excesso de velocidade podem explicar tanto o aumento de acidentes em Campo Mourão quanto às batidas em anteparos. A gente sabe que a frota de veículos aumentou na cidade, mas tem muitos motoristas que não estão preparados para o trânsito. Além disso, tem o excesso de velocidade que acaba provocando muitos acidentes e a própria desatenção do condutor, comenta ele.
No caso do bitrem que derrubou um poste na Rua Brasil, Afonso comenta que o acidente ocorreu em ponto estratégico, o que acabou deixando um grande número de pessoas sem energia. Foi uma área enorme de desligamento, por ser um ponto estratégico, inclusive com estabelecimentos comerciais ficando sem energia. Nesse tipo de situação, procuramos isolar a área e alimentar a rede por outros pontos, abrindo chaves. Quando é possível fazemos isso, mas sempre acaba ficando gente sem energia. Por envolver um caminhão de grande porte, o trabalho de reposição do poste ficou mais comprometido, pois foi necessário um guindaste para fazer a retirada do veículo do local. Isso causou uma demora além do normal, afirmou.
Risco de choque
Em colisão com postes, há também o risco de descarga elétrica. Apesar de o sistema ser preparado com equipamentos para fazer com que a rede seja desligada automaticamente, quando um cabo de alta tensão toca ao outro, ou mesmo quando tem contato com a terra, Afonso diz que o risco é de que no momento da colisão uma pessoa seja atingida pela fiação, antes do contato dos fios com a terra. Nesse caso pode ser fatal. Em algumas situações há também o risco de um curto-circuito, que pode causar incêndio no veículo, completa.