Começa campanha contra febre aftosa

A partir desta quinta-feira (1º), agropecuaristas de todo o Estado terão 30 dias para fazer a vacinação dos animais – bovinos e bufalinos – com até 24 meses contra a Febre Aftosa. O lançamento regional foi realizado na Fazenda Onça Parda, em Campo Mourão, e reuniu representantes da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab), Sindicato Rural e do Conselho de Sanidade Agropecuária (CSA). A Aftosa é uma doença infecciosa causada por um vírus e atinge os rebanhos causando febres seguidas do aparecimento de bolhas ‘aftas’. Apesar de não ser transmissível aos humanos, a simples suspeita de um foco prejudica toda a economia da região e do Estado – pois fica impedida até a comercialização de grãos daquele local.

O supervisor regional da Adapar, Emanuel Vaccarelli, explicou que a campanha ocorre todos os anos nos meses de maio e novembro. A vacinação é importante porque a febre aftosa é uma doença que acarreta muitos danos não só para o Paraná, como também para o Brasil. Ele frisou que hoje o Estado possui o status de livre de aftosa com vacinação e que isso garante o comércio da carne para o mercado interno e externo. Segundo ele, os eventos regionais são importantes para conscientizar e lembrar os produtores que o prazo começou e que os animais precisam ser vacinados. As doses devem ser adquiridas em casas agropecuárias cadastradas.

Na hora da compra, ele recebe a nota fiscal e o comprovante de vacinação. Logo após a aplicação, o produtor deve entregar o documento em um dos escritórios da Adapar. Outra opção para comprovação é a forma online, que ainda tem pouca adesão na região de Campo Mourão. Os registros online da Adapar estão atualizados e a maioria dos produtores já entregou a documentação para atualização do cadastro. Ficou fácil para as casas agropecuárias fazerem o registro, porém ainda há certa resistência de algumas por falta de funcionários ou estrutura suficiente para a demanda.

O presidente do Sindicato Rural, Nelson Teodoro de Oliveira, enfatizou que o status sanitário é muito importante para o produtor ter um melhor preço e mais garantias de mercado. Entendemos que o status sanitário hoje é o principal fator. O que o Paraná tem perante a OIE de Livre de Aftosa com Vacinação já foi conquistado com a ajuda da Faep [Federação da Agricultura do Estado do Paraná]. Ele recordou que o medo de contágio da doença faz com que os prejuízos respinguem sobre toda a cadeia produtiva. Isso aumentou depois que a Inglaterra teve um surto de aftosa graças a um feno contaminado que havia sido adquirido na Coréia.

Reconhecimento

A necessidade de vacinação não é reconhecida apenas pelas entidades governamentais ou de classe. Como já é realizada há muitos anos, os produtores estão conscientes e reconhecem seu papel para evitar problemas. É importante porque é uma doença que tem um grande impacto econômico, então se nós não fizermos essas campanhas para prevenir a febre aftosa, vamos acabar perdendo os mercados internacionais. Ela tem que ser feita, porque o dia em que não for feita a imunização grande do rebanho você pode ter focos de aftosa e isso preocupa a pecuária brasileira, comenta Henrique Kloster Salonski, responsável técnico pela Fazenda Onça Parda.

Números do Rebanho*

Campo Mourão – 590.545 cabeças

Entre 0 e 24 meses – 261.783 cabeças

Paraná – 9.412.438 cabeças

Entre 0 e 24 meses – 4.235.597 cabeças

*Bovino e Bufalino

Imunização por um ano

A imunização por faixa etária ocorre desde 2009, quando foi alterado o sistema de vacinação no Paraná. A imunização tem a validade de um ano e a taxa de efetividade da vacina é de aproximadamente 95%. Assim, como o animal mais novo não recebeu muitas vacinas desde que nasceu, recebe duas doses anualmente para evitar o risco de estar entre os 5% de exceção.

A primeira dose da vacina também contribui para garantir a eficácia da segunda dose, ela é para os animais mais sensíveis e suscetíveis à doença. Eles são vacinados neste período justamente para induzir a produção de mais anticorpos, que fortalecem a imunização até a idade adulta, quando passam a receber apenas uma dose por ano.

Após comprar a vacina, é importante mantê-la refrigerada e aplicar o quanto antes nos animais, desde que eles não estejam estressados e que isso não seja feito nas horas mais quentes. A dose precisa ser aplicada com todo o cuidado para que respondam bem à vacinação.