CP investiga suposto desvio de verbas em Roncador

R$ 2,6 milhões. Misteriosamente o valor existe apenas na contabilidade da prefeitura deixada pela administração passada de Roncador. Na prática, não se sabe onde foi parar a verba. No município, uma Comissão Processante (CP), criada a pedido da prefeita Marilia Perota (PDT), levantou uma série de irregularidades, como desvio de finalidade de verbas de convênios, falta de pagamentos, entre outros. A CP deverá pedir o ressarcimento aos cofres públicos, caso fique comprovado algum desvio. O relatório final, que deverá ser concluído nos próximos dias, será encaminhado ao Ministério Público (MP), que deverá apurar o paradeiro do dinheiro.

Segundo o Procurador Geral do município, Antonio Marcos Rosa, um relatório pré-liminar já foi encaminhado à promotoria, porém faltam documentações para conclusão do processo, como microfilmagens de vários cheques, por exemplo, entre outros. Vários cheques emitidos não possuíam nenhuma fonte na contabilidade informando para que finalidade eram, informou o procurador. Segundo ele, a microfilmagem possibilitará identificar para quem foram emitidos e a finalidade.

As microfilmagens foram solicitadas ao Banco do Brasil. Conforme Rosa, o levantamento apontou que 2012 foi o ano mais problemático em relação às finanças do município. Não podemos condenar ninguém prematuramente. Mas temos que esclarecer os fatos. No decorrer do processo levantamos uma gama de documentos. Tão logo que recebermos estes cheques vamos encaminhar também as cópias ao Ministério Público, informou.

De acordo com o procurador, não é possível afirmar se o dinheiro foi desviado da prefeitura para benefício pessoal do ex-prefeito. Segundo ele, a verba pode ter sido direcionada a outra área, por exemplo. Mas neste caso, se teve um convênio e o dinheiro não entrou, teve um desvio de finalidade. Isso já é objeto de ação por improbidade administrativa, pois se descumpriu o objeto do convênio. E esse desvio de finalidade já ficou comprovado no relatório da comissão, argumentou.

A Comissão Processante foi criada no ano passado, após constatação de que o município possuía R$2,6 milhões, mas apenas contabilmente, já que o dinheiro não estava nas contas do município. A comissão quer saber se houve erro de lançamento, se foi pago alguma despesa do município e não foi dado baixa, ou se o dinheiro foi desviado para fins particulares. A gente já sabe que tem irregularidades, mas enfaticamente, não sabemos para onde foi o dinheiro, ponderou Rosa.

O coordenador geral do município, Audio Ciupa, acrescentou que todos estes acontecimentos prejudicaram o nosso início da atual administração. Ficou muito difícil. Agora que conseguimos as nossas certidões negativas. Agora que estamos efetivamente trabalhando, comentou Ciupa.