O Instituto São José de Peabiru paralisou ontem as atividades. A diretora da instituição, Maria Eunice Silvestre Radke, diz que as aulas estão suspensas até que a prefeitura forneça os materiais básicos de manutenção, como produtos de limpeza e materiais didáticos. Maria informou que falta até papel higiênico na escola. Ontem de manhã, o prefeito Claudinei Antonio Minchio (PT), participou de reunião com a diretora e membros do Conselho Escolar, para discutir a situação. O petista culpa atrasos de fornecedores e a burocracia dos processos licitatórios para a demora na aquisição dos materiais.
Fundado há mais de 20 anos, o Instituto São José, administrado pela Congregação da Sagrada Família de Bérgamo, funciona em parceria com a prefeitura e atende pelo menos 273 alunos matriculados nas séries iniciais do ensino fundamental. Maria diz que desde o ano passado a instituição vem enfrentando sérios problemas para se manter. Desde o ano passado não temos uma fonoaudióloga e psicóloga educacional. O mais grave é a falta do material didático pedagógico escolar e material de limpeza, lamentou.
A diretora informou que está recorrendo a ajuda da comunidade para adquirir produtos de limpeza. Já os materiais didáticos, como papel sulfite, lápis, borracha, tintas, entre outros, ela diz que os educadores vêm fazendo ‘vaquinha’ para comprá-los. Está faltando praticamente tudo, criticou. A diretora informou que o município tem atendido a apenas cerca de 20% das reivindicações do Instituto.
Segundo Maria, outras reuniões já foram marcadas com o município para discutir a situação, mas não houve comparecimento de representante da prefeitura. Após as tentativas fracassadas, o Conselho Escolar decidiu após reunião a paralisação das atividades. Mesmo assim demos uma semana de prazo. Esperávamos que fosse tudo resolvido. Como não foi resolvido marcamos uma reunião [na segunda-feira] com os pais para comunicar a paralisação das atividades na escola, disse. De acordo com ela, os próprios pais concordaram com a medida. Eles disseram que só vão trazer as crianças quando a prefeitura legalizar a situação de materiais dentro da escola, acrescentou.
Verba insuficiente
Maria informou que a verba repassada mensalmente pelo município ao Instituto-R$ 11 mil-, não é suficiente para suprir a necessidade, já que a verba é dividida para manter ainda o Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) da entidade. De acordo com ela, considerando todas as despesas, seria necessário para manutenção da escola, o repasse de R$ 29 mil mensais.
A representante do Conselho Escolar do município, Zilda Siqueira Gomes, lamenta a situação. Segundo ela, com o repasse do município, é feito o pagamento de três professores, aluguel do Instituto, e o que sobra destinado para a manutenção em geral. Resumindo, sobra no caixa R$ 97 por mês para as crianças. Não temos giz, papel sulfite, lápis, borrachas, e até papel higiênico, reclamou.
Repasses somam R$ 309 mil
O prefeito de Peabiru, Claudinei Antonio Minchio (PT), que participou ontem de manhã de reunião com a diretoria do Instituto São José, informou à TRIBUNA que o município já repassou R$ 309 mil de 2013 até o mês de abril à entidade. Nenhuma outra escola de Peabiru recebeu este recurso, disse. Ficamos sabendo, por exemplo, de recurso para manutenção de carros, mas não tem carros sendo utilizados. Então onde está sendo aplicado o dinheiro, emendou. Ele informou que a escola deverá fazer uma revisão para o remanejamento da verba encaminhada pela prefeitura.
Apesar de a direção da instituição informar que as aulas serão retomadas apenas após regularização da situação, Minchio disse que as atividades voltarão ao normal a partir de hoje. A questão já está resolvida, ponderou. O prefeito informou que de imediato fornecerá produtos de limpeza do município até que a licitação para compra dos produtos da escola, marcada para o próximo dia 7, seja realizada. Com relação aos materiais didáticos, ele informou que a situação também será regularizada. Não é de uma hora para outra que você pode fazer uma compra para suprir a necessidade de uma escola ou qualquer uma entidade pública. Tem todo um procedimento, explicou.
Minchio reconheceu que o problema no Instituto vem sendo enfrentado desde o ano passado. Segundo ele, foi feito o procedimento licitatório, porém insuficiente e o município teve de fazer um aditivo, que também não supriu a demanda. Aí fizemos uma compra emergencial com dispensa de licitação e ainda não supriu todas as necessidades, disse.