Ir além da sala de aula e fazer com que o conteúdo programado seja visto pelo estudante como algo prático foi a proposta de um projeto desenvolvido com estudantes do 8º ano (12 anos). Em uma escola particular do município, nas aulas de Língua Portuguesa sobre o gênero ‘carta’, surgiu a ideia de escrever alguns pedidos a uma autoridade. A escolhida foi a presidente da República, Dilma Rousseff e os temas propostos pelos jovens foram saúde e segurança.
O professor Vanderlei Smaha de Oliveira revelou que já havia feito uma correspondência ao gabinete quando o presidente era Luiz Inácio Lula da Silva, em 2006. Apresentei as cartas que tinha mandado e a resposta e falei que se eles aceitassem, poderíamos mandar uma em nome deles, coloca. A proposta era fazer reivindicações a qualquer autoridade – deputados, senadores, governador ou vereadores – mas a escolha foi pela ocupante do principal cargo do Poder Executivo Brasileiro.
Entre o início da preparação e o envio do documento foram aproximadamente 15 dias. Nesse tempo, os estudantes viram diversos tópicos da ementa como os pronomes de tratamento e forma de escrita. Foi trabalhado o gênero textual de modo a fazer significado na vida deles.
Se depender da aluna Érica Fernanda Carnelutt da Silva a proposta atingiu completamente esse objetivo. Isso vai ficar marcado, coloca ao explicar que aprovou o trabalho por ser uma experiência nova para todos. Segundo ela, não houve grandes dificuldades na confecção da carta porque todo o conteúdo foi trabalho e a sala funcionou como um grupo unido. Aqui todo mundo um ajuda o outro. Quando definimos os dois temas, procuramos aquilo que o Brasil está precisando muito. Vamos ver se melhora, conta animada.
A estudante Izabela Moraes Parma Bassi pretende ir além e promete que essa foi apenas a primeira de muitas cartas. Quero mandar cartas para a presidente, até para o Obama. Eu quero melhorar o mundo, estou tentando ter a paz mundial e acabar a fome no mundo, entre outras coisas. Mas se um só tentar não vai conseguir, muitas pessoas tem que tentar também, revela.
Na resposta, assinada pela diretoria de documentação história do gabinete, é repassado aos jovens primeiro a satisfação com a preocupação deles em relação aos temas. Logo em seguida, o documento fala que o governo tem feito algumas iniciativas para atingir esses objetivos – que também são metas da União. Pensei que seria bem difícil fazer, mas até que não foi. O que a gente esperava depois que terminamos era que ela falasse que tentaria nos atender e foi isso mesmo. Que ela estava tentando, mas ainda não conseguiu, analisa o aluno Matheus Liam Romagnolli.
Continuação
Para o professor, esse trabalho de incentivar o pensamento crítico tem resultados que não terminam agora, com a resposta. Acredito que a partir do momento em que eles tiveram que refletir sobre os assuntos o que colocar, de que maneira colocar, isso já começou a mudar e transformar o jeito deles pensarem. É uma atividade que esperamos que eles jamais esqueçam.