Idosos encontram no asilo atenção e cuidados especiais

Um lar criado para acolher pessoas desamparadas, indefesas e já sem muita ambição na vida. Fundado em Campo Mourão em 1972, o Lar dos Velhinhos Frederico Ozanan atende 65 idosos, cada um com um histórico de vida diferente. A maioria de sofrimento, marcado por abandono familiar. No entanto, o curso da vida dessas pessoas mudou com a chegada ao abrigo, onde encontraram o que faltava, às vezes dentro do próprio lar. São 25 funcionários sempre prontos a atendê-los a qualquer momento, seja na hora da refeição, levando o alimento e o remédio à boca de quem já se tornou completamente dependente e, também no momento do banho.

Clodoaldo Bonete/Tribuna do Interior

Idosas contam que no asilo encontraram o amparo que tanto precisavam

Alguns são recém-chegados ao asilo, como é o caso do aposentado Paulo José Silva, 76 anos. Há quatro meses o lar o acolheu completamente desnutrido, pesando apenas 40 quilos. Sem ninguém por ele no mundo, vivia com uma família no Lar Paraná, onde não via a cor do dinheiro da aposentadoria. Com apenas uma refeição diária, passava fome e a cada dia percebia que ia definhando. “Passei a me indignar com aquilo, pois sabia que era aposentado, mas não tinha dinheiro. Foi então que chamei a mulher que respondia pela casa e desabafei: disse que se ela não podia me sustentar que me libertasse então. Exigi que me levasse ao médico e fiz um raio x geral do corpo. Como pensava, o médico confirmou que eu estava muito desnutrido”, conta ele.

De volta para casa, Paulo disse que queria ir morar no asilo. A mulher, que mantinha pelo menos três filhos com a aposentadoria do idoso, não questionou. Apenas disse aos filhos que o “tio véio” estava indo embora e o levou ao lar dos velhinhos. Sob os cuidados da entidade, rapidamente ele ganhou peso e vive bastante animado. “Cheguei ao asilo pesando 40 quilos e hoje já cheguei aos 50, que é o mínimo que esperava. Hoje sou muito feliz e tenho meu dinheirinho para o cigarro e as balas de menta que tanto gosto. Sou muito bem cuidado e recebo a comida na hora certa, sempre à vontade. Sou muito agradecido por tudo”, diz Paulo.

Responsável pela entidade, a Irmã Luciene Peixoto Larrea, diz que o idoso chegou muito fraco ao asilo. “Era uma pessoa desnutrida e mal cuidada. Hoje ele agradece muito por tudo que recebe na mesa. Dá muito valor ao alimento porque sempre passou muitas necessidades”, revela a irmã Luciene.

Clodoaldo Bonete/Tribuna do Interior

Paulo Silva disse que não via a cor do dinheiro com a família
que morava

Assim como Paulo, a aposentada Beanilde Maria dos Santos, 67 anos, também encontrou no Lar dos Velhinhos o amparo que precisava. Após perder o marido em São Paulo, ela veio morar com um irmão em Campo Mourão, mas sua cunhada acabou adoecendo e Maria não tinha mais com quem contar nos afazeres diários. “Como não podíamos pagar uma empregada, pedi para ficar no asilo, pois aqui a gente tem tudo pronto, roupa lavada, comida e até remédio no horário certo. Pagamos com parte da aposentadoria, mas não falta nada e sou bem cuidada”, agradece ela.

Lidia França Medeiros, 94 anos, foi outra que no Lar dos Velhinhos encontrou a paz que precisava. “Meu filho andava muito violento em casa e eu tenho problemas nas pernas. Me tornei uma pessoa indefesa e corria riscos, por isso consegui vaga no asilo e estou melhor aqui. Gosto do atendimento que me proporcionam, pois recebo remédio na hora certa, a cama é limpinha e bem arrumada. Sempre tem alguém para nos ajudar”, destaca ela, que morava em Guarapuava.

Festa da Solidariedade

Com tantos funcionários (25 no total), e idosos para manter, os gastos mensais no Lar dos Velhinhos são altos. Para ajudar a manter a instituição, uma única promoção acontece durante o ano. Trata-se da tradicional Festa da Solidariedade (churrascada beneficente) que acontece sempre no primeiro domingo de maio. Portanto, o evento está marcado para o próximo domingo, quando serão servidos ao menos 1 mil churrascos no local. O valor é de R$ 60,00 cada um e a expectativa dos organizadores é superar a renda do ano passado, que chegou aos R$ 106 mil. Este ano esperamos arrecadar R$ 120 mil, recurso que ajuda na manutenção do asilo, disse Henrique Kloster Salonski, presidente do lar dos velhinhos, mais conhecido por Kiko.

O apoio da comunidade é importante, segundo Kiko para o sucesso do evento. Contamos com o apoio da comunidade para que adquiram os churrascos com antecedência. Cada churrasco possui cerca de 2 quilos de carne. Também será comercializado no acompanhamento do almoço, arroz, maionese, pão, salada e bebidas.

Toda a renda do evento é destinada à instituição, onde as despesas mensais giram em torno de R$ 120 a R$ 130 mil. Os gastos oscilam muito, principalmente por conta dos preços de medicamentos, água e luz que variam de um mês para o outro. O lar dos velhinhos é uma instituição grande e que sempre precisa de reparos, por isso é necessário manter dinheiro em caixa, explica.

Quem for almoçar no local deve levar pratos e talheres.  O abrigo é mantido por meio de convênios e, por lei, cada idoso disponibiliza 70% da aposentadoria para auxiliar nas despesas. Dos 65 idosos atendidos no lar dos velhinhos, 20 são totalmente dependentes dos funcionários, na hora das refeições, dos remédios e banho. A situação de 18 é ainda mais difícil, pois sem conseguir mastigar, só se alimentam de comida batida.

É um lugar em que a gente aprende muito com eles e também a valorizar mais a vida. Acima de tudo é preciso muita paciência e carinho com todos, completa a Irmã Luciene, que pede para que as pessoas participem da festa. A festa ajuda muito na manutenção do lar. Quem quiser fazer visita depois do almoço, estaremos de portas abertas para que as pessoas conheçam onde está sendo investida a renda do evento.

O lar dos velhinhos é aberto à visitação diariamente, de qualquer pessoa, das 14hs às 16hs. Quem quiser fazer doações pode levar donativos diretamente no abrigo, que está localizado na saída para Araruna, às margens da PR 558.