Novo levantamento apresenta alto risco de dengue em CM

O município de Campo Mourão mantém números preocupantes em relação à dengue, em pleno inverno. O último Levantamento Rápido de Índice de Infestação (LIRA) pelo Aedes Aegypti, mosquito que transmite a doença, revela que os índices de infestação na cidade estão cinco vezes maiores que os registrados no mesmo período de anos anteriores. Diante desse quadro, em plena época de inverno, a preocupação é com o verão. “Se providências urgentes não forem tomadas, principalmente pela população que precisa cuidar melhor de seus imóveis, podemos já iniciar o verão, ou até mesmo a primavera com uma situação alarmante de dengue”, adverte o coordenador de combate à dengue em Campo Mourão, Carlos Bezerra.

DivulgaçãoClodoaldo Bonete/Tribuna do Interior
Dengue apresenta números alarmantes e preocupa Secretaria da Saúde

A situação preocupa em alguns bairros e exige atenção especial em outros, como é o caso do Jardim Isabel, que lidera com índice de infestação de 16,67%, seguido do Santa Nilce/Conrado, com 13,04% e Cidade Alta (12,50%). “Para se ter uma ideia, o índice preconizado pela Organização Mundial da Saúde é de 1%. Esses bairros, com até 16¨%, representam situação de alto risco. Ainda temos o Centro, com 8,89% e Pio XII (Indianápolis), com 5,29%, ou seja, também apresenta alto risco. Em médio risco, que vão de 1% a 4%, temos pelo menos outros 14 bairros, de um total de 31 que monitoramos”, explica.

A Secretaria Municipal de Saúde mantém 33 agentes de endemias, e todos estão trabalhando diariamente, principalmente nos locais que apresentam números mais preocupantes. Bezerra afirma que Campo Mourão registra o pior inverno em relação à dengue. “Tenho todos os levantamentos realizados nos últimos, desde 2013 e nunca tivemos uma situação tão grave como agora. Não podemos baixar guarda e já pensamos em retomar algumas ações, tais como mutirão e força-tarefa pela cidade.”

Campo Mourão registrou este ano 160 casos da doença, sendo o último no dia 21 de junho. “Estamos há 33 dias sem circulação do vírus, ou seja, não estamos tendo o vetor contaminado, mas sempre digo que isso é muito relativo e a situação pode se alterar de um momento para outro. Com o tempo instável e sempre chuvoso, os próprios números do Lira registrados essa semana podem apresentar mudanças”, alerta.

Dos 42.850 imóveis de Campo Mourão, foram fiscalizados 1.318 durante o levantamento de infestação. “Desse total, 32 imóveis deram positivo, sendo que 81% dos focos estavam concentrados em residências, além de outros 16% em terrenos baldios”, aponta.

Para Bezerra, esses dados evidenciam a negligencia das pessoas com os próprios locais em que vivem. “O pior é que a maioria dos focos está presente no lixo doméstico, no papel e no plástico que não estão tendo a destinação correta, mesmo com o Município tendo coleta diária, inclusive de lixo reciclável”, lamenta. Há focos ainda em terrenos baldios, às margens de rios e até em ocos, nos troncos de árvores. Caso o inverno continue com temperaturas elevadas e sem geadas, o risco aumenta ainda mais, até de epidemia no verão. Para evitar o problema, além das ações já realizadas pelo município, cada morador precisa fazer a sua parte, começando pelo quintal de sua casa.