A Diretoria de Trânsito (Diretran), órgão ligado à prefeitura de Campo Mourão reuniu ontem proprietários de vans escolares para discutir a regularização do serviço e ouviu uma série de cobranças da categoria. A principal reclamação do grupo é contra donos de vans que trabalham de forma irregular na cidade, perante o Município e o Detran, sem serem fiscalizados. Outra denúncia já registrada em reuniões anteriores, aponta que motoristas de ônibus de prefeituras da região continuam transportando alunos de uma faculdade a outra dentro de Campo Mourão.
Isso ocorre há muito tempo. A van cobra cerca de R$ 140,00 pelo transporte, e esses motoristas oferecem o serviço ilegal por até R$ 30,00, sem que as prefeituras de suas cidades fiquem sabendo. Já denunciamos, a prefeitura de Campo Mourão pediu provas e eu fiz fotos e vídeos, porém o problema continua, reclamou Celso Gilson de Souza, 47 anos, proprietário de vans escolares. Segundo ele, alguns ônibus deixam em torno de 10 a 20 acadêmicos na Unespar e embarcam a mesma quantia para levar até o campus do Integrado, na saída para Maringá. Esses motoristas fazem um arrastão na cidade, enquanto as vans chegam quase vazias no campus do Integrado, denunciam.
O chefe da Diretran, Nelson João Casarolli pediu para que os denunciantes identifiquem as cidades em que os motoristas agem dessa forma para que ele próprio entre em contato com os prefeitos para denunciar. É só identificar de onde estão vindo esses ônibus que estão dando carona na porta das faculdades, para que possamos entrar em contato com os prefeitos, pois certamente são motoristas que fazem isso escondido e que precisam ser advertidos, disse Casarolli.
Além de Casarolli e vários donos de vans, participaram da reunião o chefe da 8ª Ciretran, Neury Dalmolin, representantes do Pelotão de Trânsito do 11º Batalhão da Polícia Militar. De acordo com Souza, dos 42 cadastros de vans junto à prefeitura, apenas 12 estariam legalizadas. O restante está prestando o serviço irregular na rua. Percebo que todo ano, pelo menos quatro ou cinco vans começam a operar. O cara perde o emprego em Campo Mourão, vai a Curitiba, compra uma van por cerca de R$ 15 mil ou R$ 20 mil e começa a trabalhar normalmente, sem nenhum tipo de regularização em Campo Mourão. Não fazem curso, não regularizam documentação e atuam com insegurança total na cidade. A gente que trabalha tudo de acordo com a lei é que acaba prejudicado. O pior é que essas pessoas, que deveriam estar presentes na reunião não aparecem, desabafa.
Estacionamento
Outro ponto que causou discussão, inclusive com a Polícia Militar foi em relação aos estacionamentos. O grupo quer espaço exclusivo para seus veículos em frente aos colégios, mas para a PM isso é impossível. Se a gente abre três vagas como vocês querem, toma conta de toda a frente de algumas escolas. E aí, como ficam os pais que também precisam pegar seus filhos?, indagou o soldado Elias Bezerra, do Peltran. Os vanzeiros reclamam ainda que muitos pais param os carros em frente às escolas e permanecem mais de dez minutos á espera dos filhos. Atrapalha todo o nosso serviço, porque a gente não tem tempo a perder. Os pais poderiam estacionar mais longe, mas a gente não, afirmam.
Bezerra lembrou que os direitos são iguais, pois alguns pais, que são médicos, por exemplo, também não podem perder tempo. No entanto, ao final todos entenderam que é preciso diálogo e bom senso da parte de todos. Se houvesse bom senso de todas as partes, nem seria necessário esse tipo de discussão, afirmou Souza. Após a reunião com os vanzeiros, Casarolli reuniu-se com os representantes da PM e Detran para debater a questão da fiscalização e da regulamentação de quem pratica o serviço de forma clandestina na cidade. É um serviço de grande responsabilidade e queremos que todos trabalhem dentro da legalidade, oferecendo o melhor para os estudantes no trajeto casa-escola, e vice-versa, afinal quem gostaria de colocar o filho para ser transportado por uma van que não oferece segurança nenhuma, completou Casarolli.