Mercado imobiliário estagnado e com poucas perspectivas em CM

A grave crise econômica que assola o país reflete em cheio no setor imobiliário. Negociar um imóvel, seja para venda ou locação, não tem sido tarefa fácil. Em Campo Mourão a situação fica clara pela quantidade de placas de aluga-se ou vende-se, fixadas tanto em portas de imóveis residenciais quanto comerciais. Na área central esse tipo de anúncio está espalhado por toda parte. Em alguns pontos as duas placas chegam a dividir espaço no mesmo imóvel, que ainda assim se mantém ocioso.

As imobiliárias da cidade acreditam que a mudança de governo na esfera federal poderá mudar esse cenário desolador até o final do ano. Alguma coisa com certeza vai acontecer com essa mudança de governo e esperamos que seja para melhor, espera o proprietário da Imobiliária Monalisa, João Roberto Breschiliari. Há 12 anos no ramo imobiliário, o empresário afirma que nunca enfrentou uma crise tão grave no negócio. Essa queda começou no início do segundo semestre do ano passado e só foi piorando. Hoje tenho cerca de 100 imóveis para venda e a mesma quantia para locação. Mas esse desaquecimento imobiliário é geral, pois estive recentemente em São Paulo e constatei que a situação não é diferente por lá também. É placa de venda e aluga para todo lado, preocupa-se.

Em Campo Mourão, segundo ele, as pessoas fazem de tudo para se livrarem do aluguel. Para economizar, alguns até voltam a morar com os pais. Tem pessoas casadas que estão indo morar com os pais, levando junto esposa e filhos. Outros fazem acordo com o proprietário para não ter reajuste no preço quando vence o contrato, ou se sobe, é preciso ser bem negociado, revela. Se alugar está difícil, vender é ainda mais complicado. Imóveis que valem R$ 100 mil, por exemplo, o comprador não quer pagar mais que R$ 80 mil. Se a pessoa precisa muito do dinheiro acaba cedendo e aí se torna um bom negócio ao comprador.

Na Império Imóveis a situação não é muito diferente, com muito mais ofertas que procura. Comparado há anos anteriores o desaquecimento é grande, e praticamente parado quando a oferta é por locação de salas comerciais. Nesse caso não há procura nenhuma. No atual momento da economia, ninguém quer saber de abrir empresa, por mais que seja uma microempresa. Chegamos ao ponto que nem visitas estão acontecendo os imóveis, lamenta Luciane Cruz Dias, do setor de locação da imobiliária.

Até mesmo imóveis locados estão sendo negociados por valores menores com os proprietários, segundo ela. Muitos proprietários nos procuram e aceitam reduzir valores para manter o inquilino. O reajuste é anual, mas no atual momento econômico tem sido negociado na base do acordo dos dois lados, explica. Luciane espera que com a mudança de governo o setor imobiliário volte a crescer, principalmente com financiamentos mais baratos.

O corretor e gestor Paulo Bandeira, da mesma imobiliária, explica que o momento é de cautela. Pelo atual momento que o país atravessa, as pessoas estão receosas para assinar o contrato e preferem aguardar. A expectativa é de que haja uma mudança no mercado e que o juro tenha uma queda, o que também acredito que vai acontecer, diz ele.

Bandeira observa que para quem busca a compra de um imóvel para morar o momento é oportuno, mas para investimentos ele alerta que é viável esperar mais um pouco. É hora de comprar a casa própria porque é possível negociar um preço mais em conta, juro menor e financiamento mais facilitado, mas quem está pensando na compra apenas para investimento deve aguardar mais um pouco, aconselha.

Na Tapowik, o sócio-proprietário da imobiliária, Alexandro Kuntze afirma que a locação não sofreu tanto impacto, mas o setor de vendas de imóveis foi muito afetado pela crise econômica. A questão de vendas caiu muito mesmo, está muito desaquecido, mas quanto à locação não sentimos muita diferença porque todo mundo precisa morar em algum lugar. O que observo é que o proprietário está mais flexível e sensível na hora de negociar com o inquilino. O momento é interessante para se negociar um valor mais vantajoso, comenta.

Quanto às vendas, os poucos negócios que são fechados, ainda dependem de muita negociação e com parcelas a perder de vista. Compra e venda ficou mais difícil. Para fechar o negócio tem que aceitar pagamento em até dez ou onze anos e ainda assim ser flexível com o que é ofertado de entrada. A Tapowik, segundo ele, conta atualmente com cerca de 500 imóveis locados em Campo Mourão e pelo menos mais 100 para serem alugados.