Apesar do risco de geada, tempo contribui para o trigo na Comcam

Apesar da preocupação de alguns produtores rurais com o risco de geadas para as próximas semanas, o clima frio vem contribuindo para o desenvolvimento do trigo na Comunidade dos Municípios da Região de Campo Mourão (Comcam). Pelo menos por enquanto, de acordo com os meteorologistas, as lavouras com o cereal estão livres de perdas por decorrência de geadas, já que não há possibilidades da ocorrência do fenômeno para os próximos dias.

Cleverson Beje/Faep
Segundo Deral, 80% das lavouras de trigo estão em fase de floração e 20% em estágio vegetativo

Porém estão previstas ainda para este inverno a passagem de pelo menos mais duas fortes massas de ar frio que deverão atravessar a região causando a formação de geadas entre o início e final de setembro, justamente época em que o trigo estará no auge de sua frutificação. De acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral), órgão ligado a Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab), cerca de 80% das lavouras de trigo se encontram atualmente na fase de floração na Comcam e 20% em estágio vegetativo.

Segundo o economista do Deral, Anderson Roberto dos Santos, foi registrada na manhã de ontem geada em alguns pontos, mas apenas em algumas áreas mais baixas ou localizadas próximas de córregos, porém nada que afetasse o trigo. Como a partir de amanhã as temperaturas voltam a subir, não há riscos para as lavouras nos próximos dias, assegurou. Ele ressaltou que a preocupação maior é para o mês de setembro, já que a meteorologia prevê a passagem de fortes ondas de frio pela Comcam. O trigo estará em uma fase crítica para geada, falou.

Na Comcam, o plantio do trigo foi finalizado no início de julho. Segundo projeções do Deral, o volume de produção com o cereal na região nesta safra será 14% menor comparado ao ano passado. A área de plantio também encolheu significativamente. Segundo os números, a Comcam cultivou nesta safra 130 mil hectares de trigo contra 150 mil em 2015. O volume de produção previsto é de 383mil toneladas ante 442 mil no ano passado.

A dificuldade de acesso ao seguro agrícola, os elevados custos de produção, o baixo interesse dos moinhos pelo trigo nacional e, principalmente, a concorrência com o milho safrinha, cultivado na mesma época, são alguns dos motivos que explicam a queda na produção.

O que está animando um pouco o produtor é o preço do cereal segundo ele, que está relativamente bom. A saca de 60 quilos fechou o dia de ontem cotada a R$ 44,50, no mesmo período do ano passado, a saca estava sendo comercializada a R$ 33. O problema, conforme o economista, é que a cotação do cereal é muito instável, o que passa insegurança ao produtor. A sua comercialização também é complicada, ressaltou.