A melhor forma de combater a dependência das drogas ou do álcool é a prevenção. Pelo menos é com esse método que a Pastoral da Sobriedade da Diocese de Campo Mourão procura ajudar aquelas famílias que buscam apoio. O coordenador diocesano da Pastoral, João Batista Rodrigues explica que o grupo foi criado dentro da Igreja Católica, mas está aberto para atender pessoas de qualquer tipo de religião, ou mesmo sem religião. A Pastoral da Sobriedade nasceu dentro da Igreja Católica, mas é ecumênica, aberta a qualquer pessoa ou família que precise de ajuda, pois a dependência química não escolhe religião ou classe social, afirma.
O propósito da entidade é prevenir e recuperar aqueles que por um motivo ou outro acabaram sendo dominados pelas drogas ou álcool. Rodrigues acredita que a pessoa se torna dependente por conta de outras dependências, inclusive apontadas por ele como de ‘estimação’. Imagine em que idade pode começar a dependência. Por exemplo, um bebê que fica viciado em uma chupeta, que não tem nada dentro, apenas uma borracha. Ele simplesmente acostuma a ficar mascando porque os próprios pais apresentaram a chupeta para ele e depois encontram dificuldades para fazer com que o filho se afaste dela, compara.
Para o coordenador da Pastoral, a dependência anda de mãos dadas com a depressão e pode começar ainda na adolescência. Ele revela que no passado as pessoas acreditavam que a depressão era conseqüência da dependência, mas para Rodrigues, a pessoa depressiva é que está mais susceptível a se tornar viciada nas drogas ou na bebida. Pela experiência que temos nesse trabalho, geralmente a partir dos 14 anos o adolescente já pode adquirir a depressão, que como o próprio nome diz, é a pressão da sociedade, da família, ou do próprio jovem em querer um mundo melhor. Se não há uma espiritualidade forte por trás dessa pessoa, ela cai em depressão mesmo e depois avança para a dependência química como uma válvula de escape.
Ele lembra que qualquer pessoa, ou mesmo uma criança, sabe que a droga faz mal, mas, no entanto acaba recorrendo a ela. Isso acontece quando a pessoa entende que a própria vida dela está uma droga. Entendemos que o trabalho preventivo consiste em trabalhar a origem do problema e não necessariamente o problema já existente. Quando se fala em dependente, logo se pensa em clínicas de recuperação, mas o problema é que as pessoas que passam por esses locais nunca mais serão as mesmas. Perde a autoconfiança, a autoestima e fica cheio de seqüelas. E olha a gravidade disso, pois não estamos falando de uma pessoa de 50 ou 60 anos, que já viveu mais da metade da vida, mas de um jovem de 18 anos, aproximadamente, que está começando a vida. Por isso entendo que a clínica não é a solução, e sim a prevenção, que deve começar dentro de casa. Nas reuniões que realizamos recebemos algumas famílias que nem possuem dependentes em casa, mas que estão aprendendo como lidar com a situação, pois logo terão os filhos na idade da adolescência, enfatiza.
Embora tenha convênios com clinicas de recuperação, Rodrigues afirma que a Pastoral não aconselha esse tipo de tratamento. Não aconselho porque não existe recuperação para o dependente. Uma vez dependente do álcool, da droga, ou do cigarro, a pessoa vai morrer dependente. É preciso trabalhar a prevenção para evitar a clinica amanhã, orienta.
Dengue
Rodrigues faz uma comparação fácil de ser compreendida ao insistir de que a prevenção é o melhor caminho: Prevenção das drogas para mim é como prevenir a dengue. É preciso levar a informação, conscientizar e unir forças com a comunidade, pois não adianta cuidar da minha casa se o vizinho não limpar a dele. Da mesma forma, se o filho do morador ao lado é dependente químico ele pode me assaltar na rua, invadir a minha casa e até me matar por conta da droga, esclarece.
As reuniões da Pastoral da Sobriedade em Campo Mourão acontecem todas as terças-feiras, a partir das 20 horas, no Centro Catequético. Outras cidades da região, como Mamborê, Moreira Sales, Engenheiro Beltrão e Quinta do Sol também são atendidos. Grupos menores ainda se reúnem nas casas para o trabalho preventivo. Rodrigues fala da importância da espiritualidade, como canal essencial de prevenção.
Dizem que as drogas começam nas ruas, pelas más companhias e tudo mais. No meu entendimento, começa dentro de casa, na família em que os pais não souberam orientar o filho, principalmente na questão espiritual. Mais uma vez coloco que a clínica não resolve o problema porque ela tira as drogas, mas deixa um vazio, o qual entendemos que precisa ser preenchido por Deus. Na Pastoral da Sobriedade procuramos preencher o vazio com Deus para que a pessoa nunca mais tenha necessidade de recorrer ao álcool, cigarro ou a bebida.
Rodrigues é policial militar aposentado e assumiu a Pastoral da Sobriedade no início deste ano. A Pastoral intensificou os trabalhos em Campo Mourão e região, com núcleos de apoio nos bairros e outras cidades da Comcam.