Collor mantém recorde histórico de votação em Campo Mourão desde 1989
Passados 37 anos da primeira eleição presidencial direta após o regime militar, Fernando Collor de Mello continua sendo o candidato que alcançou o maior percentual de votos válidos em Campo Mourão desde a redemocratização. No segundo turno de 1989, o então candidato do Partido da Reconstrução Nacional (PRN) recebeu 28.512 votos, equivalentes a 75,86% dos válidos, contra 9.073 votos (24,14%) de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A diferença foi de 19.439 votos, em um município que possuía 39.431 eleitores cadastrados.
Durante a campanha presidencial, Collor esteve em Campo Mourão em 13 de outubro de 1989, quando participou de um comício na Praça Alvorada, no Jardim Alvorada. A visita ocorreu pouco mais de um mês antes do primeiro turno, realizado em 15 de novembro.
Nove eleições depois, percentual permanece sem ser superado
A votação proporcional conquistada por Collor resistiu às mudanças políticas e ao crescimento do eleitorado nas décadas seguintes. Em 1994, Fernando Henrique Cardoso (PSDB) recebeu 21.191 votos, equivalentes a 65,08% dos votos nominais, derrotando Lula, que obteve 6.757 votos (20,75%). A eleição presidencial foi decidida no primeiro turno.
Em 1998, Fernando Henrique Cardoso voltou a liderar a votação em Campo Mourão, com 21.518 votos, correspondentes a 62,13% dos votos válidos. Lula ficou em segundo lugar, com 9.416 votos (27,19%). Assim como quatro anos antes, a eleição foi encerrada no primeiro turno, com a reeleição de FHC.
A eleição de 2002 marcou uma mudança no comportamento do eleitorado local. Lula venceu em Campo Mourão com 24.907 votos no segundo turno, equivalentes a 64,56% dos válidos, contra 13.672 votos (35,44%) de José Serra (PSDB). Foi a maior votação proporcional de Lula no município entre os resultados analisados, mas ainda 11,30 pontos percentuais abaixo da marca de Collor.
Em 2006, Geraldo Alckmin (PSDB) liderou a votação mourãoense no segundo turno, em uma disputa apertada com Lula. O levantamento apresenta 24.905 votos para Alckmin (55,77%) e 16.640 para Lula (37,26%), números que precisam de conferência quanto ao turno e à base percentual utilizada. Mesmo considerando o maior percentual informado, o desempenho permaneceu inferior ao de Collor em 1989.
Na eleição de 2010, José Serra (PSDB) recebeu 25.168 votos no segundo turno, equivalentes a 52,96% dos válidos, enquanto Dilma Rousseff (PT) conquistou 22.357 votos (47,04%). Quatro anos depois, em 2014, Aécio Neves (PSDB) ampliou a vantagem dos adversários do PT no município, alcançando 29.728 votos (58,22%), contra 21.330 votos (41,78%) de Dilma.
Em 2018, Jair Bolsonaro (PSL) liderou a votação presidencial em Campo Mourão. No primeiro turno, recebeu 28.527 votos, equivalentes a 56,1% dos válidos, enquanto Fernando Haddad (PT) obteve 9.353 votos. No segundo turno, Bolsonaro alcançou aproximadamente 67,6% dos votos válidos, percentual expressivo, mas ainda inferior aos 75,86% registrados por Collor.
Na eleição de 2022, Jair Bolsonaro (PL) voltou a liderar a votação no município. No primeiro turno, conquistou 29.544 votos (54,8%), contra 19.738 de Lula. No segundo turno, Bolsonaro obteve aproximadamente 61,7% dos votos válidos, mantendo a liderança local, embora Lula tenha vencido a eleição nacional.
Por fim, em 2026, Flávio Bolsonaro (PL) conquistou 35.448 votos no segundo turno em Campo Mourão, correspondentes a 62,53% dos válidos, contra 21.246 votos (37,47%) de Lula. O resultado estabeleceu um novo recorde em números absolutos, mas não superou o percentual alcançado por Collor. A comparação também reflete o crescimento do eleitorado mourãoense, que passou de 39.431 eleitores em 1989 para mais de 70 mil em 2026.
Eleito presidente da República, Collor tomou posse em março de 1990, mas renunciou em dezembro de 1992, durante o processo de impeachment, após denúncias de corrupção. Sua trajetória política foi marcada pelo contraste entre a expressiva vitória eleitoral e a crise que encerrou antecipadamente seu governo.

