Monitoramento de esporos avalia risco de ferrugem na soja na região de Campo Mourão

Coletores identificam esporos do fungo e ajudam técnicos a orientar produtores sobre o manejo da doença.

Na região, coletores capturam esporos do fungo causador da ferrugem-asiática e ajudam técnicos do IDR-PR a reunir informações para orientar os produtores sobre o manejo da doença

Conforme o -Paraná, regional de Campo Mourão, o ar que circula pelas lavouras de soja pode carregar sinais de uma ameaça à produção. Na região, coletores capturam esporos do fungo causador da ferrugem-asiática e ajudam os técnicos do órgão a reunir informações para orientar os produtores sobre o manejo da doença.

O chefe regional do IDR-PR, do núcleo de Campo Mourão, Jairo Quadros, comenta que os trabalhos iniciam nas propriedades rurais, onde o material recolhido segue ao laboratório, para análise microscópica. Instalados em diferentes regiões, os equipamentos recolhem partículas transportadas pelo vento, entre elas os esporos do fungo Phakopsora pachyrhizi. As lâminas são retiradas periodicamente, identificadas e encaminhadas para análise.

A presença dessas estruturas na amostra, porém, não significa que a doença esteja instalada na lavoura nem determina, por si só, a aplicação de fungicidas. O resultado precisa ser avaliado junto às condições do tempo, à fase de desenvolvimento da soja e à observação das plantas.

Um exemplo do acompanhamento foi registrado na safra 2024/2025. Em Peabiru, o extensionista Antônio Eduardo Egydio analisou uma lâmina de um coletor instalado em Campo Mourão e identificou estruturas associadas à ferrugem-asiática. A coleta em um município e a leitura em outro fazem parte da mesma rede de monitoramento.

Material recolhido dos coletores é minuciosamente analisado pelos técnicos por meio de microscópios

Os dados podem ser consultados no mapa de monitoramento da ferrugem do IDR-Paraná, que permite acompanhar os registros nas regiões monitoradas. Conforme Quadros, a leitura das lâminas exige capacitação para distinguir as estruturas do fungo de outras partículas presentes no material. “Os técnicos também registram os resultados e preservam a identificação de cada amostra, para relacionar os dados ao local e ao período da coleta”, explica.

Conforme Quadros, assim como a captura de esporos exige uma avaliação conjunta das condições da lavoura, uma amostra sem registro do fungo não afasta o risco da doença. Segundo ele, cada lâmina retrata um ponto e um intervalo de tempo específicos. “A circulação dos esporos e as condições favoráveis à infecção podem mudar ao longo da safra”, explica.

Por isso, o monitoramento complementa a avaliação no campo e a orientação dos extensionistas. As informações podem ajudar a evitar aplicações desnecessárias de fungicidas, sem comprometer a proteção da produtividade. A decisão de controle depende do conjunto de fatores que favorecem a doença e das recomendações técnicas para cada situação.

Conforme o IDR, pesquisas sobre o uso de inteligência artificial na identificação de esporos também abrem a possibilidade de ampliar a capacidade de análise. “A tecnologia poderá auxiliar na leitura de imagens microscópicas, atividade que hoje depende do conhecimento e da atenção dos profissionais”, observa Quadros.