Amigo de fé, irmão camarada

“Quem espera que a vida
Seja feita de ilusão
Pode até ficar maluco
Ou morrer na solidão
É preciso ter cuidado
Pra mais tarde não sofrer
É preciso saber viver
Toda pedra no caminho
Você deve retirar
Numa flor que tem espinhos
Você pode se arranhar
Se o bem e o mal existem
Você pode escolher
É preciso saber viver
É preciso saber viver

Saber viver
Erasmo Carlos

A agulha que tocava o disco de vinil sai do sulco. A fita cassete parece se enrolar. A partitura está em branco, a espera de uma nova letra ou nota. De uma música nova. Os instrumentos de corda e de percussão se põem, se compõem para o silêncio, a composição do infinito. O microfone está reto, retilíneo, na altura certa.

É dia de espetáculo, do encontro de profunda tristeza, dos aplausos para homenageá-lo.

Em vida a celebração para ele era o espelho do que ele cativava em alegria, entusiasmo, música. O Tremendão – assim chamado devido o nome de produtos de sua marca – é, e sempre será, a referência que abriu e percorreu caminhos do roque brasileiro. Sempre teve o jeito de criança, rebelde, apaixonado, intenso, também pela música, pela família, pelos amigos e pelo seu grande e fiel público, a vida toda! Toda a vida! Amadurecido – “Ei mãe, não sou mais menino, você já fez a sua parte me pondo no mundo (…). – o homem, envelheceu na cronologia implacável da data, 81 anos, sempre no ápice da criatividade, da contemplação do bem que inspirava pelo fazer, da amizade.

Alegre, extrovertido, fora também sereno, deixando fluir, florar a ternura da esperança. Suburbano, a bagagem dele era de poucas peças, jeans de calças e jaquetas, os sonhos e ideais, de ser artista da música, teve que passar imensas privações, dificuldades até começar a ser reconhecido pelo seu singular talento, autêntico.

Ouvir as suas canções é como ter a sensação que elas são completamente novas porque as emoções, história e fatos são o novo experimentar e viver a música vivida.

Poderia ter feito sucesso de arromba, numa onda que começaria e acabaria lá nos anos 60. Mas não! Gerações herdaram de seus pais o gosto musical do Erasmo. E se não foi herança, gerações descobriram por elas mesmas a doçura musical. E foi assim, gerações encantadas e a cantar as suas canções, uma juventude que agora sente o calar fundo de uma despedida que só não dói mais devido ao entoar dos estribilhos, dos embalos a dançar. A Jovem Guarda, agora guarda o jovem Erasmo.

Afinal, ele próprio pontuou: “É preciso saber viver, saber viver”.

Fases de Fazer Frases (I)
Nada é pouco se a fé e a vontade são imensas.

Fases de Fazer Frases (II)
Mesmo com amarras do tempo, terá o desenlace do destino.

Olhos, Vistos do Cotidiano (I)
A primeira Copa que permanece em minha lembrança foi a de 1970, Brasil tricampeão. Eu tinha sete anos. (escrevo a Coluna para enviá-la antes do Brasil jogar na estreia). Rememoro a música que se tornou um hino cantado em todo o Pais, intitulado “Pra frente Brasil”.

Destaco o trecho que informa a população total daquele início de década: “90 milhões em ação, pra frente Brasil (…). Pois é, hoje somos 214 milhões de brasileiros, segundo dados de 2021, do IBGE.

Olhos, Vistos do Cotidiano (II)
Propaganda na latinha da Coca-Cola: “Se o Brasil ganhar, não falo mais sobre ex”. Nossa seleção é penta, há 20 anos sem erguer a taça, a torcida é pelo hexa, claro.

Olhos, Vistos do Cotidiano (III)
Aprovada a venda da Copel pela Assembleia Legislativa do Paraná, 36 deputados estaduais votaram a favor e 13 contra. A Copel é uma das empresas mais conceituadas no Brasil, e no Paraná sempre gozou de grande reputação. O governador Ratinho assegura que o governo manterá o poder de veto, controle da Companhia.

Eis um velho dilema dos governos nas últimas décadas, se uma empresa estatal é deficitária, falida, é posta a venda. E se for eficiente, rentável, também é vendida.

Farpas e Ferpas (I)
Tudo tem vez, mas não de uma vez.

Farpas e Ferpas (II)
Um homem fino não faz vistas grossas.

Farpas e Ferpas (III)
Difícil é conter a verdade, contá-la, não.

Reminiscências em Preto e Branco (I)
O tempo não se volta contra ninguém, apenas é nosso espelho.

Reminiscências em Preto e Branco (II)
Faça prece com tempo e saiba esperar sem pressa.

José Eugênio Maciel | [email protected]