Campo Mourão

Governo não cede, e servidores entram em greve por tempo indeterminado

Sem acordo com o Governador do Estado em relação à data-base, servidores da rede estadual iniciam a partir desta terça-feira (25), greve unificada por tempo indeterminado. A paralisação envolverá funcionários púbicos estaduais de várias áreas, como professores, polícias Militar e Civil, entre outras categorias do serviço público estadual. Somando os 18 sindicatos do Estado e a Associação de Praças de Policiais Militares, 28 entidades representativas estarão envolvidas na paralisação. O governo do Paraná, Ratinho Junior (PSD), anunciou na última semana que não existe a possibilidade de reajuste, porque representaria quase R$ 1 bilhão a mais de gastos.

O presidente da APP Sindicato de Campo Mourão, Ironei de Oliveira, que abrange os 25 municípios da Comcam, disse que a pauta dos servidores inclui cerca de 50 reivindicações, entre elas a reposição da inflação dos últimos 12 meses, de 4,94%. Ele informou que os servidores públicos do Executivo estão com os salários congelados desde 2016 e acumulam perdas inflacionárias de 17% no período. A data-base da categoria venceu em maio, mas até agora, após oito rodadas de negociações, o governo do Estado não deu uma resposta oficial ao funcionalismo.

O presidente informou que na semana passada visitou todos os municípios da região para conversar com os professores sobre a greve. Segundo ele, a expectativa é de boa adesão em toda a Comcam. Ele espera que entre 40 a 50% dos professores cruzem os braços a partir de hoje. “Ao longo da greve pretendemos construir uma adesão maior. Claro que algumas categorias, em respeito a lei deixará 30% do seu efetivo trabalhando, como saúde e segurança pública, por exemplo”, falou.

Silva comentou que a luta dos servidores vem desde o dia 29 de abril deste ano. “Foi criada uma comissão para discutir a data base, foram oito rodadas de negociação junto dessa comissão que a APP acompanha, mas o governo não apontou nada”, disse, ao comentar que os servidores da Assembleia Legislativa e Judiciário tiveram correção. “E nós do poder Executivo nada”, argumentou.

Segundo a APP-Sindicato, ‘além da questão financeira que faz servidores perderem o equivalente a 2,2 salários anualmente, educadores exigem respostas à política de perseguição e gestão mercadológica das escolas públicas, coordenada pelo empresário Renato Feder que assumiu a secretaria da educação este ano’.

“Também apresentamos proposta de um começo de recuperação de perdas dos últimos quase quatro anos com 1% em outubro e 1% em dezembro. Mas o governo não apresentou contraproposta nenhuma”, diz Oliveira, ao justificar a decisão de paralisação de professores e servidores. “Já são quase quatro anos de sacrifício dos servidores. Não estamos pedindo aumento, é apenas a reposição das perdas da inflação”, emendou.

Na última semana, o governador Ratinho Junior (PSD) afirmou em entrevista coletiva que o seu desejo é dar o reajuste aos servidores, a data-base, mas que o problema é que o governo não tem dinheiro. “Estamos fazendo esforços, cortando mordomias para construir um projeto que permita, daqui a alguns meses ou no ano que vem, dar reajuste aos funcionários. Minha função como governador é cuidar do equilíbrio e garantir saúde financeira ao Estado”, disse.

Ele afirmou que o esforço para melhorar o estado não deve ser só do governo, mas de toda a sociedade. “Podemos até pensar em reajuste, mas seria necessário aumentar impostos. E precisamos perguntar para a sociedade se quer aumento de imposto para dar reajuste para servidor”, disse ele.

Ratinho disse ainda que nenhum estado do Brasil está dando reajuste ao funcionalismo, porque o país está em crise, com a arrecadação caindo. Ele citou Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais, que estão parcelando o pagamento dos seus servidores e não conseguindo pagar aposentadorias. “Minha obrigação como governador é não deixar o Paraná entrar nesta situação, que infelizmente acontece com estados nossos irmãos e que torcemos para que superem logo.”

O governador destacou também a questão de que o Estado não pode ultrapassar o limite prudencial nas despesas com a folha de pagamentos. “De acordo com o determinado pelo Tribunal de Contas e Secretaria do Tesouro Nacional, ultrapassar o limite significa ficar negativado, o que incorre em perda de convênios e comprometimentos de investimentos previstos no Estado. Minha função é ser guardião do orçamento”, enfatizou. Ele diz que o governo procura ações periféricas para colaborar com o servidor, mas sem colocar em risco a saúde financeira do Estado. “Temos que trabalhar com a realidade. Isso exigirá aumento de arrecadação e a população já paga muito imposto”, argumentou.