“A Boiadeira vai ficar pro próximo governo”

Aproveitando a visita, o representante do governo Lula concedeu uma entrevista à reportagem da TRIBUNA, onde comentou sobre a exploração do pré-sal, jogos olímpicos, Estrada Boiadeira, eleições, entre outros assuntos.

Tribuna do Interior: Os partidos de oposição ao governo federal apontam que o presidente Lula está tratando a descoberta do pré-sal como uma propaganda política para as eleições de 2010. Como o senhor analisa isso?

Paulo Bernardo: Olha, se fosse seguir esse raciocínio da oposição seria melhor não ter pré-sal, não ter Copa do Mundo e não ter Olimpíadas no Brasil. Eu acho que é uma visão completamente equivocada. Essas novas reservas de petróleo são as mais importantes reservas descobertas no ocidente nos últimos 25 anos. Nós temos a perspectiva de se tornar até o quinto maior produtor de petróleo do mundo. Evidente que é preciso uma decisão muito sensata de como explorar e utilizar esses recursos, pois é quase certo, que não teremos outra chance como essa nos próximos cem anos. Se errarmos a mão agora, perderemos uma chance histórica.

TRIBUNA: Como o governo gostaria de utilizar o petróleo do pré-sal:

Bernardo: O presidente diz que não queremos ser exportadores de petróleo, queremos extrair, industrializar e exportar os produtos industrializados se for o caso. Isso significa dar avanço tecnológico, gerar empregos, melhorar a renda. Ou seja, será riqueza para investir em educação, tecnologia, meio ambiente, entre outros setores. Essa é nossa idéia para o pré-sal. Acho que a oposição pode fazer discurso, mas duvido que votem totalmente contra, a não ser que seja por lobby das empresas privadas do petróleo; porque não teria outra explicação.

TRIBUNA: Ainda com relação ao pré-sal, existe uma discussão dos Estados com relação a divisão dos lucros da extração, o que por enquanto beneficiaria principalmente São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Como o governo está trabalhando esta questão?

Bernardo: Nós achamos que tem que ser repartido de forma mais equânime para todos os Estados. Uma coisa é quando você tem uma hidrelétrica e inunda o território de um município, que como compensação recebe royalties. Agora, essas reservas que estamos descobrindo estão a 250, 300 quilômetros da costa, não atrapalha nem a navegação. Não há nenhum sentido em dizer que aquele petróleo tem que ser exclusivo de um município ou de um Estado. A nossa visão é de que isso pertence ao país. Então seria razoável fazer uma repartição com tosos os municípios. É claro que se for mexer no que já existe nós vamos arrumar uma confusão grande e não vai haver acordo de forma alguma. Portanto temos que deixar o que já existe como está, mas daqui pra frente criar outra regra onde todos os Estados serão contemplados.

TRIBUNA: O senhor comentou sobre a Copa do Mundo de futebol e sobre os Jogos Olímpicos, que serão disputados no Brasil em 2014 e 2016 respectivamente. Como analisa essa conquista?

Bernardo: Talvez seja a primeira vez que um país consiga fazer de forma seguida estes eventos. São oportunidades extraordinárias. Primeiro, para investir em infra-estrutura nas cidades, melhorar locomoção, turismo, entre outros. Segundo porque vai ser investido muito em esporte. A olimpíada vai acontecer daqui a sete anos. Não é possível que vamos sediar os Jogos Olímpicos aqui e continuar em vigésimo lugar em termos de medalha. Nós temos tempo razoável para nos preparar e o Brasil vai poder fazer grandes investimentos no esporte, associados à educação.

TRIBUNA: O Tribunal de Contas da União (TCU), encontrou irregularidades e recomendou a paralisaçãode várias obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), como é o caso da BR-487 (Estrada Boiadeira). Como é que o governo está vendo essa medida?

Bernardo: A oposição faz o papel dela. Agora, nós achamos que não é razoável o Tribunal de Contas fazer oposição. Nessa divulgação de obras fiscalizadas estava o Rodoanel de São Paulo. Eles chamaram o governo estadual, acertaram os problemas antes da divulgação e quando divulgaram já estava resolvido. Já nos casos do governo federal nós ficamos sabendo pelo jornal. Nós queríamos ter o mesmo critério, poder ver o que estáacontecendo, examinar antes de divulgar que está tudo superfaturado. Além disso, nós temos observadoquer boa parte das notícias divulgadas pelo Tribunal de Contas não são confirmadas. Acho que precisamos de uma discussão sincera com o Tribunal porque para nós, fica parecendo que fiscalizam com o sentido de não permitir que seja realizada a obra.

TRIBUNA: E com relação à Estada Boiadeira?

Bernardo: Essa estrada Boiadeira está parada há uns 15 anos. Ultima vez que tentaram retomar o Tribunal mandou parar novamente. Nós refizemos todos os pedidos, avaliações e planilhas, mas mal começamos a refazer o serviço e já mandaram parar. Particularmente acho que devíamos abandonar essa idéia, fazer outro projeto, outra licitação e começar do zero. Agora para fazer um projeto leva até nove meses, pra fazer uma licitação mais uns três meses, tem também a questão da licença ambiental, ou seja, a Boiadeira vai ficar pro próximo governo ou para daqui 15 anos, quando algum governo resolver fazer. Nós não queremos que o Tribunal não nos fiscalize, agora tem que fiscalizar com o sentido de esclarecer as coisas para as obras sair.

TRIBUNA: Como o senhor analisa a questão das alianças partidárias que já estão sendo discutidas?

Bernardo: No caso da disputa federal, nós achamos que o ideal seria ter um candidato único da base do governo. Isso significa fazer acordos com o PSB de Ciro Gomes, por exemplo. Agora, se não for possível, vamos trabalhar com o que podemos.

TRIBUNA: E no Paraná?

Bernardo: No Paraná também estamos fazendo esforço para que os partidos que são aliados ao governo federal tenham uma candidatura única e forte. Foi colocada a minha candidatura, a do Pessuti e de outros, mas olhando esse cenário, falando fracamente, eu acho o Osmar Dias é o candidato mais forte nesse universo. Nós gostaríamos de trazer o PMDB, o PT, o PR para um projeto como esse. Agora se não tiver jeito, evidentemente que o PT lançará candidato e se for o caso no segundo turno nós voltamos a conversar, como ocorreu em 2002 e 2006. Nós podemos fazer esse movimento ou fazer algo para ganhar logo no primeiro turno.

TRIBUNA: O PT não descarta a possibilidade de dois palanques para Dilma Roussef, caso ela seja a candidata à presidência?

Bernardo: Não descartamos, até porque o Pessuti está falando com firmeza que é candidato. Então numa hipótese de sair Pessuti e Osmar, Dilma mantém boas relações com os dois, nós não teríamos problema. Agora nós temos que definir uma coligação, pode ser que tenha dois palanques, mas o PT vai ter um lado.

TRIBUNA: Como o senhor avalia o PT no Paraná?

Bernardo: O PT melhorou muito. Hoje nós estamos organizados em pelo menos 80% dos municípios. Temos uma chance muito grande de aumentar as bancadas federal e estadual e elegermos uma senadora. Acho que a Gleisi está com uma pré-candidatura bem colocada.

Por Marcus Ayres, da Redação