Capela em estilo barroco precisa de reparos

    Ela até recebeu um projeto de lei para ser tombada como patrimônio público da cidade, há alguns anos, mas o prefeito da época não chegou a sancioná-lo. Agora, o templo necessita de uma reforma para não perder os desenhos em estilo românico e barroco que vem sendo ameaçados pelas goteiras.

   Trata-se de uma preciosidade localizada em meio às plantações da comunidade e cuidada pelas 150 famílias que residem no local. Amadeu Elízio dos Santos, presidente da capela, é quem coordena as suas atividades. Missas acontecem uma vez ao mês. No entanto, todos os sábados acontecem celebrações de jovens. Em seu interior são mantidos desenhos de Santo Antônio, Santa Rosa, Santa Rita de Cássia e São Sebastião. Também se destaca por ser a única da diocese de Campo Mourão que traz no teto a figura dos sete dons do Espírito Santo.

   Tão cuidada que o chão brilha pelo excesso de limpeza. Os bancos – com capacidade para até 50 pessoas – limpos e encerados. O altar em madeira trabalhada chama a atenção pelo zelo. Impecável. Mas um mistério que aguçava a curiosidade de todos na comunidade foi revelado pelo Padre Ademar de Oliveira Lins. Ninguém sabia ao certo quem era o autor das figuras da capela. Os mais antigos contavam que se tratava de um padre europeu, disse Amadeu. E foi mesmo. Conhecido apenas como Guilherme, um padre alemão que morou pela região há muitos anos, ele trouxe profissionais do Rio Grande do Sul para presentear a comunidade com a sua decoração. De acordo com Lins, outras duas capelas – a do Pensamento, em Mamborê, e a de Pitanga – têm os mesmos desenhos em estilo românico e barroco, idealizados pelo mesmo padre alemão.

   Agora, o templo que marcou o passado da comunidade necessita de uma restauração para enfrentar o futuro. Amadeu explica que precisa, primeiro, buscar verbas. Depois, encontrar um profissional que trabalhe com as ilustrações do interior da capela. De acordo com Vilma Martelli, presidente da Câmara de Vereadores de Roncador, a luta de Amadeu não é solitária e existe sim uma preocupação com a restauração da capela. De acordo com ela um novo projeto de lei será apresentado na Câmara para tombá-la. Mais que isso. Vilma também assegurou que nos próximos dias a prefeitura enviará ajuda para acabar com as goteiras. Dados indicam que há alguns anos, uma verba de R$20 mil foi destinada pelo deputado Alex Canziani, para reformar a capela. No entanto, como a documentação do terreno onde ela está localizada ainda é irregular, o montante foi destinado para a rodoviária, que, aliás, vai de mal a pior.

Padre Ademar teve visão durante missa na Capela

   Enquanto rezava uma missa na Capela Imaculada Conceição, ainda na década de 80, o Padre Ademar de Oliveira Lins, hoje pároco de Campo Mourão, teve uma visão sobre a comunidade do Faxinalzinho. Era uma época de crise na agricultura e as famílias locais passavam, possivelmente, pelo pior momento de suas vidas. Na hora da Consagração me veio uma visão. A comunidade passaria por maus momentos. Mas depois eles dariam a volta por cima, lembrou. Ele disse exatamente isso aos fiéis, que jamais se esqueceram daquelas palavras. Passados vários anos, a visão se consolidou. Atualmente, as famílias locais aumentaram e a prosperidade vingou.

   Não foi a primeira e nem a última vez que o padre teve visões. Ainda no ano passado, durante um jantar de inauguração da Frangobras, no Celebra Eventos, ele estava sentado quando um pressentimento o chamou para orar. Foi então que se levantou, caminhou até os fundos do salão e se deparou com uma intensa chuva de granizo. Ao lado dos garçons que serviam o evento, ele esticou os braços sob a chuva e rezou. Inacreditáveis cinco segundos. Este foi o tempo para que o granizo parasse. Mais de 20 pessoas presenciaram a cena.

   Ademar também já salvou vidas. Em 86, ele teve que apressar a missa na comunidade de Paraíso do Sul, em Corumbataí do Sul, para trazer às pressas uma mulher em estado de parto até Campo Mourão. Ela não agüentou a viagem e o padre teve que parar o seu Fusca e fazer o parto ali mesmo. Em sua homenagem, o menino passou a se chamar Ademar, cujo batismo também foi feito por ele. Deus me deu um dom e venho aprendendo com ele, disse Ademar.

Por Dilmércio Daleffe, da Redação
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