Com a casa quase vazia, já que o guarda-roupas e a pia estão quebrados do lado de fora e os colchões ficaram molhados, ela pede ajuda para se reerguer. Meu filho não quer que eu peça nada, mas não tem outro jeito. Estou precisando de tudo, praticamente: duas camas e colchões de casais, guarda-roupas, pia, forros de camas e outros objetos, pois até minhas panelas foram levadas pela enchente, lamenta ela.
O drama de Cirça começou na quinta-feira da semana passada, quando logo pela manhã o rio que margeia sua casa foi subindo até entrar para dentro de sua casa, alcançado pelo menos meio metro da parede. Ela precisou da ajuda de vizinhos até para retirar os porcos da mangueira que mantém nos fundos da casa. Os porcos estavam morrendo afogados, mas graças a Deus conseguimos salvar todos.
O sol que voltou a aparecer no início dessa semana trouxe um alento. Pelo menos serviu para ela secar algumas roupas, forro de cama e os colchões, que mesmo assim continuam umedecidos e cheirando mal. Os colchões continuam bem molhados, mas como não tem outro, quando chega a noite recolho e forro com plástico para dormir. As crianças reclamam do mau cheiro, mas não tem outro jeito. Moro há quinze anos neste local e nunca tinha visto algo igual. Minha mãe não queria sair de casa, disse que ia benzer que a água não subia. Tiramos ela e levamos para casa de minha irmã, conta a dona de casa.
Hoje dona Cirça tenta retomar a vida normal, mas ainda teme pelo pior caso volte a chover forte. Nunca mais quero passar por isso. Para se ter uma ideia depois que a chuva parou tivemos que abrir um buraco na parede para a água sair. Mas os próprios bombeiros me orientaram que aqui não é lugar de morar. Só que para mudar a casa mais para o alto preciso de madeira. A única renda que temos é a aposentadoria de minha mãe. Meu marido é doente e não pode trabalhar. A família é composta por seis pessoas.
Outra casa afetada pela enchente da semana passada foi a de Viviane Cristina Gonçalves Pereira, 30 anos, que mora nas proximidades do Rio do Campo, perto da Lanchonete e Restaurante Tio Patinhas. Os prejuízos só não foram maiores porque ela conseguiu repassar os móveis para uma casa vizinha, que escapou da enchente.
Segundo o vizinho de Viviane, João Neves dos Santos, 69 anos, nos primeiros dias após a chuva, ela teve que passar a noite na casa de amigos com a família. Moro desde 1974 neste local e ainda não tinha passado por isso. A água chegou até minha casa, mas não entrou porque o assoalho é alto, contou Neves.
Por Clodoaldo Bonete, da Redação