Há quase um mês de greve, funcionários da Caixa Econômica voltam ao trabalho

Os avanços na mesa específica se somam aos obtidos nas negociações com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). O reajuste salarial de 6% contempla um aumento real de 1,5% em relação à inflação calculada pelo INPC entre 1º de setembro de 2008 e 31 de agosto de 2009, que foi de 4,44%. Segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), este foi o sexto ano seguido em que a categoria conseguiu aumento acima da inflação.

Entre as propostas, a Caixa apresentou aos trabalhadores da instituição, o pagamento de um abono salarial de R$ 700, a ser creditado até o dia 20 de janeiro de 2010, e a contratação de mais 5 mil empregados até dezembro de 2010 e mais 450 jovens aprendizes.

É importante frisar que mais uma vez a classe conseguiu uma grande vitória. O número de novos funcionários, por exemplo, subiu de três mil, proposto no início das negociações, para cinco mil, destaca o presidente do Sindicato dos Bancários de Campo Mourão e Região, Marcelo Legnani. Ele acrescenta que 3 mil novos funcionários seria insuficiente para atender a demanda de clientes.

Com relação aos dias de greve, a Caixa propôs a aplicação da mesma regra definida na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) 2009/2010, já assinada entre a Contraf-CUT e a Fenaban, que estabelece o não-desconto dos dias parados, mas com a ampliação do prazo de compensação até o dia 18 de dezembro de 2009, não podendo exceder duas horas diárias e nem ser realizada em finais de semana e feriados, além de não ser utilizado eventual saldo de horas extras feitas anteriormente.

De acordo com Legnani os 28 dias de greve foram muito desgastantes tanto para os bancários quanto para o sindicato e a população. Apesar de todo o transtorno ele disse que a paralisação valeu a pena e trouxe retorno positivo para a classe.

A greve foi massiva, reuniu todo o Brasil e o que nós queríamos conseguimos, ganho real. É claro que muita coisa ainda ficou para trás, mas o limite chegou, chegamos até onde deu, comenta. Legnani ressalta a importância da mobilização. Segundo ele, graças a união da classe foi possível o reajuste entre outros benefícios.

Não podemos deixar de lutar pelos nossos direitos, tudo o que conseguimos foi com muita luta nada foi de graça, de graça nenhum patrão dá nada, observa. Amanhã [hoje] vai ser um dia de paciência, muitas pessoas estarão irritadas, por tanto é preciso calma, aconselha.

Greve causou transtornos e muita irritação a população

Com a paralisação dos funcionários da Caixa Econômica Federal, muitas pessoas foram prejudicadas. O banco é um dos mais procurados pela população por causa das linhas de financiamentos que oferece em vários, pagamentos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), Seguro Desempregos entre tantos outros serviços prestados.

Os bancários têm todo direito de reivindicar melhores condições de trabalho, mas não podem prejudicar o restante do povo, critica o professor Luiz Francisco de Mello. Nestes dias que os funcionários da Caixa estiveram em greve, chegou a faltar papel e dinheiro nos caixas eletrônicos da agência, reclama.

No período de greve até os acertos trabalhistas foram prejudicados, muitos ficaram pendentes. É o que afirma Luiz Carlos Souza, auxiliar de escritório. Os acertos só podem ser feitos em dinheiro. De acordo com Souza, no período de greve as pessoas optaram por fazer o recolhimento pela internet. Muitas empresas ficaram sem recolher e o empresário é o o mais prejudicado, explica.

Por Walter Pereira, da Redação