Enquanto isso a população continuará enfrentando transtornos. Durante esta semana, nos caixas de alguns bancos chegou a faltar dinheiro e até papel (no caso, utilizados para impressão de comprovantes de depósitos e para extratos bancários). As longas filas nos caixas também foram alvos de muitas críticas dos consumidores que chegaram a perder até uma hora aguardando atendimento.
As principais reivindicações dos bancários a Fenaban é reajuste de 10% nos salários, mas a única oferta apresentada pelos bancos até o momento foi de 4,5%. A classe quer também revisão na Participação nos Lucros e Resultados (PLR). A negociação está sendo discutida há mais de um mês.
De acordo com Legnani, a Fenaban está ‘enrolando’ os bancários. Até agora não nos apresentaram nenhuma proposta descente estão brincando com a classe, desabafa. Ele ressalta ainda que os bancários são sempre vistos como os culpados, mas na verdade o problema é culpa dos banqueiros.
É um situação complicada e somente os banqueiros podem colocar um fim nessa pendência, esclarece. Eles [os banqueiros] estão ganhando cada vez mais dinheiro em cima de nós e quando resolvemos pedir um ‘pedacinho’ do lucro pularam para trás. Legnani acrescenta que a classe dos bancários está desvalorizada. Os bancários trabalham tanto e não estão recebendo o valor que merecem, critica.
Na avaliação do presidente do Sindicato dos Bancários de Curitiba, Otávio Dias, a convocação de uma nova rodada de negociação para a última quinta-feira, se estendendo para ontem, foi uma estratégia dos banqueiros, que apostavam na desmobilização em todo o país.
“Não há outra explicação para tamanha falta de respeito”, comenta Dias. “Eles esperavam desestabilizar o movimento grevista e se surpreenderam com uma adesão crescente em todo território nacional”, analisa.
Segundo Dias, a comissão de negociação da Fenaban afirmou que não possuía autorização para melhorar a regra da PLR e que não tinham uma nova proposta de índice. Segundo acomissão os banqueiros não aceitam discutir garantia de emprego no cenário de fusões/aquisições, afirmando que cada banco tem sua política e que nenhuma medida seria adotada ou incluída na Convenção em relação à este tema.
Sobre os pisos, os banqueiros disseram que as negociações de anos anteriores que trouxeram ganho real para a categoria já foram o suficiente para assegurar a valorização dos pisos salariais. Em todo o país, mais de 450 mil profissionais da categoria estão paralisadas. Não há previsão para uma nova negociação.
Por Walter Pereira, da Redação