Interferência política reduz efetivo da PM

Segundo Casarolli em pouco mais de uma semana, quatro policiais deixaram o batalhão e não foram substituídos. Durante a reunião, o atual comandante, Tenente-coronel Geraldo Moliani confirmou as transferências e acrescentou a baixa de mais cinco policiais reformados e informou que, atualmente estão em fase de treinamento 21 homens que, após o curso de formação, passarão a integrar o batalhão. Mesmo assim, segundo ele, o número é ainda insuficiente para recompor as baixas que vêm acumulando há muito tempo.

População

Djalma Isidoro da Silva, taxista, 61 anos, morador no Jardim Flórida, comenta que em suas andanças pela cidade quase não vê policiais em serviço. Não encontramos policiais nas ruas. Não existe um policiamento mais efetivo. Nem mesmo no centro da cidade a gente percebe uma presença mais constante por parte da polícia, nos bairros mais afastados, então, nem se fala. Talvez seja pelo pequeno número de policiais em nossa cidade, conclui Silva.

Morando no centro da cidade, o aposentado Eufrásio José Silva também reclama da falta de policiamento. Não sei como é feito o cálculo do número de policiais necessário para garantir a segurança na cidade, mas percebo que está defasado. Há algum tempo, a gente via os policiais nas ruas, inclusive mais presentes no controle do trânsito. A presença deles impunha respeito e inibia a ação dos marginais, lembra o aposentado. Aproveito a oportunidade para cobrar a criação da Guarda Municipal, que foi prometida na última campanha eleitoral, enfatiza.

Já Solange da Silva, comerciante, proprietária de uma lanchonete no centro da cidade, não reclama do policiamento. Só trabalho à noite, e enquanto estou em meu estabelecimento, eles passam várias vezes em frente, fazendo um policiamento preventivo. Na madrugada, quando fechamos, sempre encontramos eles por perto, isso nos dá segurança, defende ela.

Um dado importante que vem sendo observado em Campo Mourão, é a falta de interesse das vítimas de furtos, arrombamentos e pequenos delitos em registrar a ocorrência na polícia. Isso vem acontecendo há algum tempo e demonstra a falta de confiança da população no trabalho dos policiais.Mas os policiais alertam para a importância do registro da ocorrência, especialmente, para resguardar os interesses da vítima.

Interferência política

Casarolli chama a atenção para o grande número de transferências a pedido de políticos. Quando acontece uma transferência por interesse da instituição, sempre vem um outro policial para substituir, enquanto no caso dessas transferências por interesse pessoal ou político, o efetivo não é recomposto e com a continuidade desses casos, o problema vai se agravando, comenta.

Não podemos aceitar essa prática. O político, ao solicitar uma transferência, atende ao pedido de um policial ou até mesmo o seu interesse particular, mas quem fica realmente prejudicada é a comunidade. Temos observado que, atualmente, em Campo Mourão, a polícia tem trabalhado apenas em cumprimento de mandatos e em operações especiais, enquanto o policiamento efetivo fica em segundo plano, devido à falta de policiais ressalta Casarolli. Essa prática atrapalha qualquer comando. O comandante é o último a saber, e não tem a quem questionar, conclui.

Recomposição do efetivo

O presidente do Conseg, Benedito Lúcio de Souza está preocupado com um déficit de pelo menos 150 policiais na área do 11º Batalhão. O efetivo reduzido está dificultando o trabalho policial, sobrecarregando os poucos homens disponíveis, sacrificando até mesmo as escalas de serviço. Essa falta de policiais está impedindo a implantação de um policiamento mais ostensivo, necessário para garantir a segurança da população, observa Souza.

Para que o efetivo da 11º Batalhão de Campo Mourão seja recomposto o quanto antes, Souza informa que o Conseg está enviando um ofício à Secretaria de Segurança, em Curitiba, solicitando a substituição imediata dos policiais transferidos ou reformados nos últimos meses. Além da substituição, estamos solicitando a nomeação de mais homens para que o número de policiais na região esteja de acordo com as necessidades conclui Souza.

Por Ari Mendonça, da Redação