A Farmácia Comunitária, que este mês completou um ano de funcionamento, precisa da ajuda da população, de consultórios médicos e laboratórios farmacêuticos para manter o atendimento gratuito à população. Por mês, são atendidas cerca de 200 pessoas de baixa renda que necessitam de medicamentos. Durante todo o mês de maio, uma parceria entre a Fundação São José, o Rotary e o Integrado vai realizar um mutirão para arrecadar medicamentos e repor os estoques da Farmácia.
De acordo com a farmecêutica responsável pela Farmácia Comunitária, Claudia Gaio, existem alguns remédios que são mais procurados e justamente por isso, ficam em falta. Entre eles, ela citou os remédios para problemas cardíacos (Carvidilol, Cilostazol e Sustrate), asma (Aminofilina) e úlceras estomacais (Omeprazol). Segundo a farmacêutica esses medicamentos geralmente são caros, e quem procura a farmácia tem renda média de 2 a 3 salários mínimos.
A farmácia se mantém apenas com doações e segundo Cláudia, elas não são regulares. Não temos nenhuma certeza de doação mensal, tem muita gente que ajuda. Até porque fazemos um trabalho de ligar pedindo a doação de alguns medicamentos específicos, diz. Ela lembrou que todos os dias tem doação, mas muitos remédios estão vencidos e acabam gerando um custo para a farmácia. Todo remédio precisa ser dispensado da forma correta não pode ser simplesmente jogado no lixo, conta. Em mais uma campanha, Cláudia faz um apelo. Que as pessoas ajudem, mas olhem a data de validade do medicamento, não doem remédios fora do prazo, diz.
Em cerca de meia hora em que a equipe de reportagem esteve presente, três famílias procuraram a farmácia. Uma delas que preferiu não se identificar explicou que se não conseguisse o remédio alí, não faria o tratamento contra a infecção de garganta. Meu filho trabalha em uma indústria que está com problemas financeiros, eles não estão pagando ele direito. Sem o salário dele, a gente mal consegue manter a casa, imagine gastar R$ 200,00 com remédios?, conta ela.
O medicamento prescrito para a mulher, um antibiótico, não estava disponível na dosagem recomendada. Neste caso, não podemos entregar parte do remédio. Antibióticos só podem ser entregues com a retenção da receita. Se a gente segurar a receita dela, o tratamento fica pela metade, explicou Cláudia. A solução foi voltar ao médico e pedir que fosse precrita uma injeção que o posto possui.
Segundo a farmacêutica, guardar remédios em casa é um risco. Você pode esquecer o prazo de validade e em uma emergência ingerir algo que pode te fazer mal, diz. Muitas vezes o tratamento é modificado, e os pacientes ficam com caixas de medicamentos que não vão mais usar e podem servir para outras pessoas.
Além do fornecimento dos remédios, quem procura a farmácia popular recebe orientações quanto ao uso correto dos medicamentos. Eles ensinam sobre os locais de armazenamento, o período que o remédio deve ser ingerido, horários, controle do prazo de validade e ainda o descarte correto se já estiver vencido.
Como doar
A farmacêutica explicou que basta o medicamento estar dentro do prazo de validade, em bom estado. Se for em comprimido ou pílula, pode ser entregue até mesmo se a caixa ou cartela não estiver completa.
Já os remédios como xaropes, gotas, cremes e pomadas só são aceitos com lacre original. Medicamentos controlados (com receituário especial e azul) também não podem ser doados. O mutirão começa a partir do dia 25, próxima segunda-feira, e os postos de arrecadação estarão identificados com um banner da farmácia e as caixas de papelão terão um cartaz representando uma caixa de remédio com os dizeres: Doe Medicamentos.
Serão colocados pontos de arrecadação nos postos de combustível, supermercados, Fórum, Unidades Básicas de Saúde e Igrejas. Além dos recolhimentos porta a porta que os acadêmicos de farmácia do Integrado e membros do Rotay de Campo Mourão vão realizar em toda a cidade. A Farmácia Comunitária fica na Av. José Custódio de Oliveira, junto ao Centro Catequético.