Chileno diz que sofreu preconceito

O chileno Rodrigo Alberto Morales Fernandes, 38 anos, procurou ontem a reportagem do Jornal TRIBUNA para reclamar de preconceito que teria sofrido na Secretaria Municipal de Saúde de Campo Mourão. De acordo com ele, a farmácia do órgão municipal recusou a entregar um medicamento de uso controlado. O medicamento foi receitado por uma médica no Posto 24 horas.

Fernandes está em Campo Mourão desde o início da semana, Ele conta que na quarta-feira sofreu uma convulsão no meio da rua e foi encaminhado ao 24 horas por populares. No posto, segundo ele, foi atendido por uma médica que receitou um remédio de uso controlado, que deveria ser retirado na Secretaria de Saúde. Porém, a entrega não foi efetuada. Me senti humilhado porque quem me atendeu disse que o remédio não poderia ser entregue porque eu não era brasileiro e nem residia em Campo Mourão. Sem o remédio eu posso ter um novo ataque a qualquer momento, assinala.

O chileno diz que não tem condições de comprar o medicamento e que veio à Campo Mourão a procura de emprego. Estou sofrendo preconceito também para conseguir trabalho. Sou garçom e cozinheiro, mas quando ouvem meu sotaque dizem na hora que não tem vaga, comenta e ressalta que mora em Sinop (MT) há mais de dez anos, onde a família, incluindo três filhas que nasceram no Brasil, tem residência fixa.

Em Campo Mourão, o chileno está abrigado na Casa de Apoio São José, antigo albergue. Quero trabalhar, juntar dinheiro e voltar para minha cidade. Não foi nada boa minha passagem por aqui, ressalta mostrando que tem visto permanente das autoridades brasileiras para viver no Brasil. Tenho todos os direitos de um cidadão brasileiro, inclusive, o de receber medicamento que é distribuído pelo governo federal, finaliza.

Outro lado

O diretor geral da Secretaria Municipal de Saúde, Marcio Alencar, diz que pode ter havido um mal entendido. Segundo ele a informação dos funcionários da farmácia é que o chileno chegou pedindo o remédio, mas antes mesmo de ser atendido pela farmacêutica responsável foi embora. Realmente não fornecemos medicamentos para quem é de fora. Contudo, existem casos de emergência, como é esse em que ele [o chileno] precisa do remédio, e está de passagem pela cidade. Houve um mal entendido talvez por ele que precisa do remédio e também de quem o atendeu que não se atentou à situação, observa. Alencar revela que se o paciente retornar à Secretaria, com certeza receberá o medicamento.