O dia 18 de maio é lembrado em todo país como o Dia de Combate ao Abuso e Exploração Sexual. Segundo o Centro de Referência Especializado em Assistência Social (Creas) não há como precisar o número de registros de violência, pois quando a denúncia chega ao órgão a parte investigativa já está consolidada e a denúncia formalizada.
Nessa situação, hoje, são cerca de 100 famílias atendidas. Algumas delas são vítimas de crimes sexuais, outras foram alvo de outras violações como abandono, negligência, agressão física e psicológica. O Creas atende as situações mais complexas no que diz respeito às violações dos direitos humanos, isto é, das vítimas de algum tipo de violência e que, por sua condição, precisam de atendimento especializado, explica a coordenadora do centro, Marli Iore.
Marli ressalta, no entanto, que a situação no município hoje é melhor do que há alguns anos. Os casos de prostituição também existem, estamos investigando um envolvendo uma adolescente e a mãe da menina. Mas o que mais temos é o abuso sexual, coloca. O órgão funciona atendendo e fornecendo as informações ao judiciário. Fazemos esse respaldo a eles, diz.
Para fazer com que a ação seja efetiva ela coloca que é necessário o envolvimento de todos os órgãos que representam as crianças na cidade. Somente quando a rede se firmou em torno de um único objetivo é que conseguimos alcançar os bons resultados em Campo Mourão, diz. O slogan escolhido para a campanha este ano é ‘podemos fazer mais se fizermos juntos’. Entre os envolvidos, a prefeitura, o Ministério Público, Poder Judiciário, Polícia Militar e Polícia Civil.
Paralela a questão do abuso sexual, também está sendo lançada a campanha contra as situações de rua. Não deixa de ser uma violência. Ainda temos problemas com o que chamamos de andarilhos por trecho, que são aqueles que ficam algum tempo na cidade antes de ir para a próxima localidade. Fixos mesmo só temos cinco casos antigos.
Segundo ela, a questão do trabalho infantil também está controlada. Temos problemas maiores na época de férias e final de ano, que eles saem muito às ruas pedir esmola e recolher latinhas de cerveja e refrigerantes, diz. Marli lembrou que as famílias estão participando mais dos programas oferecidos pelo Creas.
Programação
As atividades começam às 9 horas, na Praça São José. Logo na sequência será realizada uma caminhada nas avenidas e ruas da área central pela conscientização. No período da tarde, a concentração começa às 14 horas, no calçadão. Será feita uma blitze educativa com a distribuição de folders e a colocação de adesivos nos carros.
Paralelo a tudo isso, haverá o lançamento da 2ª Mostra itinerante de artes da rede do Creas, formada pelos programas, escolas estaduais e municipais.
Indícios de abuso e violência sexual
Marli acrescentou que existem alguns indicadores de que a violência sexual está ocorrendo. No material distribuído hoje constam os indicadores e também os crimes relacionados ao abuso contra a criança.
– Conhecimento e interesse precoce sobre questões relacionadas ao sexo;
– Manifestação precoce da sexualidade;
– Dificuldade de relacionamento em grupo e isolamento;
– Marcas físicas constantes, como hematomas e lesões;
– Queixa de dores nos órgãos genitais;
– Perturbações psicoemocionais;
– Problemas com sono como pesadelos e insônia ou medo de dormir;
– Falta de confiança em adultos e medo de pessoas do sexo oposto
– Tentativa de suicídio;
– Baixo rendimento escolar e Fugas frequentes do lar;
– Perda de apetite ou obesidade
Porque do 18 de maio?
O Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual foi criado em 2000, pela Lei Federal N°. 9970/00. Esta data foi escolhida, pois neste mesmo dia, em 1973, Araceli Cabrera Sanches, uma menina de oito anos foi seqüestrada, drogada, espancada, estuprada e assassinada por filhos da alta sociedade de Vitória, no Espírito Santo. O caso, que comoveu todo o país e em 2008 completa 35 anos, permanece impune.