O presidente do Sindicato Rural de Campo Mourão, Nelson Teodoro de Oliveira, chegou ontem de Brasília, de onde acompanhou todas as questões envolvendo o novo código florestal brasileiro. A votação, que estava marcada para anteontem, acabou sendo adiada para a próxima terça-feira. Nelsinho, que nos últimos 30 dias foi três vezes para Brasília, diz que os agricultores estão apreensivos.
Segundo ele, é preciso que o novo código seja votado com urgência. O sindicalista lembra que no próximo dia 11 de junho vence o prazo dado pelo decreto nº 7.029/09 para que os proprietários rurais averbem suas Reservas Legais. Se o novo código não for votado até lá, não sabemos como ficará a vida dos agricultores, pois 96% estarão fora da lei, comenta.
Nelsinho critica os representantes de ONGs que não querem a aprovação do novo código florestal. São pessoas que não conhecem nada da produção agrícola. Se perguntar para eles de onde vem o leite, eles respondem que é da caixinha do supermercado. Não sabem quanto custa para produzir. Eles se intitulam defensores, mas não sabem do que, observa.
O presidente diz que desde segunda-feira, o que mais se viu em Brasília foi constantes indefinições. A cada duas horas tinha alguma novidade. Contudo, o governo, que estava defendendo mais os ambientalistas do que a realidade, acabou entrando nas discussões, e o resultado foi o adiamento.
Para Nelsinho, o relator do projeto, o deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB-SP), fez um trabalho muito bem feito. Foram cerca de 70 audiências públicas realizadas em todas as regiões do Brasil. O relatório do Aldo não chega a ser bom para nós, mas é o que ele pôde fazer, assinala.
Sobre o adiamento, Nelsinho ressalta que há 12 anos o projeto tramita na Câmara Federal e que há pelo menos um ano e meio está sendo preparado pelo relator Aldo Rebelo. Pelo amor de Deus, são vários anos de discussão e eles ainda querem mais tempo. Ainda mais neste momento tão importante que antecede mudanças drásticas para os produtores, diz o presidente do Sindicato. Ele cita que três partidos estão contra o novo código florestal. São eles: PT, PV e o PSOL. Se ontem [anteontem] fosse levado a votação no plenário, seria aprovado com folga. Porém, o governo pediu para esperar, e a própria base ruralista concordou para que o governo não sofresse uma grande derrota. O clima era para isso, porém para não criar confronto resolveram deixar para terça-feira, finaliza.