Associguá completa oito anos

A Associação dos Trabalhadores com Materiais Recicláveis e Prestação de Serviços da Vila Guarujá – Associguá, completou no último mês, oito anos de atuação em Campo Mourão e comemora o aumento do volume de materiais entregues desde o início do ano. Segundo a coordenadora, Eudete Rodrigues Grassi, mais conhecida por todos como ‘Detinha’, conta que muita coisa mudou na vida dos fundadores da associação desde a praticidade do trabalho às perspectivas para o futuro de cada um deles.

Escolhida como porta-voz das demais associadas, Detinha repete o que escuta desde que começou a trabalhar como coordenadora da Associguá: antes as condições eram insalubres e indignas. A maioria não troca a vida que tem hoje pelo que era antes o trabalho no lixão. A história da associação começou quando o antigo lixão à céu aberto (localizado há cerca de cinco quilômetros do centro) foi desativado e o aterro sanitário municipal colocado em funcionamento. Na época, cerca de 28 famílias trabalhavam lá. Quando a associação foi formalizada só vieram entre 15 e 17 pessoas. Os demais não quiseram, comenta.

O lixão de Campo Mourão não era diferente dos demais depósitos de lixo que ainda estão presentes na maioria dos municípios – uma forma inadequada, indesejável e, hoje, ilegal de depositar os resíduos sólidos gerados na cidade. Além do problema ambiental, em semanas como esta, em que o volume de precipitações foi intenso, as atividades ficavam paralisadas. Quando chovia eles não conseguiam trabalhar porque era tudo aberto. Outro problema muito grande era a disputa entre eles, diz.

Segundo ela, o antigo lixão era separado por montes, cada montanha de lixo era propriedade de uma família. Só que o lixo não ficava parado enquanto elas mexiam, ele acabava invadindo o espaço do outro e aí eles resolviam a questão em brigas de facão, relata. O problema que para quem está de fora parece ser corriqueiro e até banal não o é para aquelas pessoas que vêem o lixo como fonte de renda. Cada grama ‘roubada’ era uma quantia a menos no final do dia.

Mas Detinha lembra animada que aquela época passou. A Associguá tem hoje 10 associados. No barracão alugado pela associação, o ‘ecodepósito’, separa-se os diferentes tipos de materiais recicláveis, que são prensados, pesados, acondicionado e vendidos pelo preço de mercado às empresas de reciclagem ou a intermediários no processo. Todos os associados têm dias fixos de trabalho, onde fazem a parte técnica de separação e acondicionamento, quando ocorre a venda divide-se o lucro em partes iguais.

Estruturação

A associação oferece além da infra-estrutura, equipamentos como a compra de prensas, fragmentadoras de papel, instalações elétricas e auxílio na organização administrativa, além de fornecer benefícios aos associados como: transporte, café da manhã e cesta básica. Além da Associguá, existem no município cerca de 15 barracões voltados ao comércio de recicláveis mantidos pela coleta de um contingente de catadores que atuam em diversos pontos da cidade.

Segundo a coordenadora, somente agora, com a mudança no contrato com a empresa responsável pela coleta seletiva é que é possível ter o peso exato do lixo entregue no barracão, são aproximadamente 1.400 quilogramas por mês. Eles fazem a entrega uma ou duas vezes por dia, antes tinha semana em que o caminhão não vinha e elas ficavam paradas enquanto o aterro estava cada vez mais lotado, comenta.

A mudança aconteceu porque antes o lixo comum era pesado e a empresa terceirizada recebia por quilo, já o lixo reciclável era um valor fixo, independente do volume. Agora o que é pesado e valorizado é justamente o reciclável. Detinha explicou que aos poucos, a população está se conscientizando. O número que é separado pelos mourãoenses daria para mais três associações, afirma ao destacar que uma delas já está em fase de conclusão.

Apesar das conquistas, o trabalho não é simples e a renda depende dessa parceria com a população na separação dos resíduos, quanto maior o volume, melhor o lucro no final do mês. Ela exemplificou a situação com os valores arrecadados com a venda de garrafas pet, uma das mais lucrativas. Eles pagam R$ 1 por quilograma de pet e são necessárias 28 garrafas de dois litros para completar esse peso, finaliza.