Fim da greve dos bancos, início das filas

Ontem a tarde, depois de 18 dias em greve, os bancários de Campo Mourão e região voltaram a atender o público. Apesar de não chegar ao aumento que os sindicalistas pediam, na avaliação dos dirigentes do movimento, a greve atingiu o seu objetivo. A expectativa agora é que a volta ao trabalho normalize o grande volume de transações acumuladas. A primeira tarde foi marcada por grandes filas.

Para o empresário que preferiu não ser identificado, o fim da greve representa um alívio. Se a maior parte dos clientes de bancos tiveram transtornos, no caso da gente que tem empresa o problema era maior. Todos os cheques desse período da greve nós tivemos que deixar retido, assim como a maioria do dinheiro ficou retida, foi uma situação difícil.

O encanador Nelson de Souza aguardava ansioso pelo momento em que a sua senha apareceria no Painel Eletrônico e não é para menos, desde o início da greve, essa já era a sétima vez em que tentava resolver seu problema. Durante os dias de paralisação foi terrível. Meu cartão deu problema e eu não conseguia fazer nada, lamenta. Apesar de ser atendido ainda ontem, esse era apenas o início dos seus problemas, já que o informaram que será necessário aguardar 15 dias para a chegada do novo cartão. Enquanto isso não tem como fazer saques no caixa eletrônico, cada vez que eu precisar de dinheiro vou ter de enfrentar essas filas.

O presidente do sindicato dos bancários de Campo Mourão e região, Marcelo Legnani, explicou que será preciso muita calma até a situação se regularizar. Hoje é um dia que tanto os funcionários quanto os clientes vão ter de ter bastante paciência porque o fluxo de pessoas que vão se dirigir às agências é muito grande, reforça ele ao comentar que o pico deve acontecer mesmo hoje. Foi divulgada uma informação de que o retorno aconteceria somente na terça-feira, então a procura deve ser maior nesse dia. Até o final da semana o tempo de espera deve exceder os limites fixados na legislação.

Para Souza, mais um problema. Em todas as greves, a gente é que paga a conta. Assim também foi com os correios, pelo menos 15% dos funcionários deveriam atender quem é correntista, reclama.

Apesar dos problemas, Legnani reforçou que a greve foi a última alternativa na negociação e não a primeira. Somos muito questionados na questão da greve e nos impactos que ela causa, mas é importante lembrar que nós entregamos a pauta de reivindicações e ficamos praticamente um mês discutindo com os bancos sem nenhum avanço e eles insistindo que não dariam ganho real, mesmo com lucros recordes, diz.

Objetivos

Legnani explicou que a greve atingiu os objetivos. Eu sempre digo, quem não luta por pouco também não vai lutar por muito. Não conquistamos tudo aquilo que a gente queria mas foi só com a mobilização que veio alguma melhora. Em relação ao índice geral, os sindicalistas pediam 12% enquanto a proposta inicial da Fenabam era de 7,5%. No final o acordo foi fechado em 9%. Mas tivemos conquistas importantes nos pisos. No piso dos bancos privados a gente conseguiu 12%, o que praticamente dá o que a gente estava reivindicando. No piso do Banco do Brasil conseguimos 10% e no piso da Caixa Econômica 11,54%, quase perto dos 12%.

Além disso, houve melhora na participação dos lucros e resultados e ele destacou que em bancos públicos houveram mais alguns avanços. Principalmente na Caixa Econômica, que conseguimos colocar o compromisso da Caixa contratar até o final do ano mais cinco mil empregados e isso é uma conquista que também se reverte para a sociedade. Acaba aumentando o quadro das agências e melhorando o atendimento, finaliza.