Para transportar carnes congeladas ou resfriadas é preciso seguir uma série de orientações, entre elas a exigência de manter um ambiente isotérmico e fechado. Na semana passada a redação da TRIBUNA registrou um caminhão com as portas abertas transportando o produto, perdendo a temperatura baixa e facilitando a entrada de moscas.
Quando vai ao mercado a dona de casa Orlanda Saran, de Mamborê, toma alguns cuidados. A higiene é o mais importante. A gente sempre observa o balcão onde os produtos estão colocados, comenta. Mas sobre os cuidados desde o abate até que a carne chegue ao consumidor, ela procura não pensar. Como não tem como inspecionarmos, a gente tem que confiar, lamenta.
Para evitar problemas, o transporte de carnes congeladas ou resfriadas deve seguir o que determina o regulamento técnico do setor para produtos de origem animal do Ministério da Agricultura. O serviço conhecido como RIISPOA serve de parâmetro aos demais serviços de inspeção e determina que para transporte de carnes em trajetos curtos – como dentro da cidade – deverá acontecer em veículos adequados: isotérmicos, fechados, higienizados e que não permitam acrescentar mais do que dois graus centigrados à temperatura que estava acondicionada no frigorifico. Lá no frigorifico, quando refrigerada, não pode ultrapassar sete graus centigrados. O desejável é que fique então abaixo de oito graus no transporte, explicou o médico veterinário, integrante da Comissão Regional de Segurança Alimentar e Nutricional e Delegado Regional do CRMV (Conselho Regional de Medicina Veterinária), Olímpio Giovanelli.
Na foto, o caminhão ultrapassava outros veículos e seguia no perímetro urbano da BR 487 com as portas abertas. Além do risco óbvio que é o de acidentes no trânsito, a negligência quanto ao transporte pode favorecer a proliferação de moscas e outros animais. Queremos acreditar que o motorista descuidou-se e deixou a porta aberta entre uma entrega e outra. Isso não pode acontecer em hipótese alguma. Imaginemos que fora o fato da temperatura estar acima dos sete graus centigrados [limite máximo indicado], com certeza moscas varejeiras devem ter entrado lá durante o trajeto, e vamos torcer para que não tenham desovado seus ovos, cujas consequências seriam desastrosas, comenta o veterinário.
A carne de qualquer animal à temperatura ambiente torna-se um ótimo meio de cultura, e as bactérias se proliferam velozmente. Estudos comprovam que uma bactéria à temperatura ambiente, num bom meio de cultura, num prazo de uma hora, pode se multiplicar em 16 vezes. No caso deste caminhão, temos que levar em conta que não é só o fato da carne em si ser um meio de cultura, mas no ambiente, onde o sangue já está escorrendo e aquecido existem milhares de bactérias se reproduzindo. Na hora que houver o descarregamento para a entrega, fatalmente a carcaça irá esbarrar neste meio contaminado. Segundo ele, o ideal é que, além de devidamente refrigerada, as carcaças estejam envolvidas em embalagens próprias para o transporte, que deve ser feito através de um veiculo higienizado, limpo, e hermeticamente fechado.
Todos os cuidados que são exigidos dos frigoríficos na higiene da industrialização e estocagem das carnes serão inúteis, se no transporte acontecer uma situação dessas. Para evitar descuidos como o registrado pelas lentes da TRIBUNA, os motoristas devem receber treinamento higiênico sanitário para o transporte de produtos de origem animal, mesmo que em percursos curtos e breves.
O veterinário ainda lembrou que a população deve ficar atenta. Se observados casos como esse, devem ser acionados primeiramente o Serviço de Vigilância Sanitária do Município. Também poderá ser acionado o Serviço de Inspeção Municipal, Estadual ou Federal.
Dica
Giovanelli ainda lembrou uma regra básica para evitar problemas com produtos de origem animal. Nossos alimentos, quando em nossas geladeiras, devem permanecer na temperatura entre dois e oito graus centigrados para que se mantenham refrigerados, e ainda temos que ter em conta, o prazo de validade desse ou daquele alimento mantido sob refrigeração.