Com o início do ano letivo, algumas livrarias de Campo Mourão já registram crescimento de até 12% no movimento. Segundo lojistas, as vendas tendem a aumentar ainda mais na última semana que antecede o início das aulas, previsto para começar no dia 6 de fevereiro (rede municipal) e 8 (estadual). As expectativas são boas para o setor.
De acordo com o proprietário de uma grande livraria na cidade, Carlos Roberto Naves de Souza, o movimento já vinha desde o fim do ano. Porém se intensificou no mês de janeiro. Segundo ele, muitos pais que viajaram durante Natal e Ano Novo, anteciparam as compra. O movimento vai aumentando gradativamente. Só hoje [onntem], o movimento aumentou em torno de 7%. A expectativa é que cresça ainda mais até o sábado que antecede a volta às aulas, comentou.
Apesar de inúmeros clientes terem antecipado a compra de materiais, segundo Souza, muitas pessoas deixam para última hora. Para conquistar o cliente, o empresário afirma que optou por facilitar o pagamento com o parcelamento das contas. No momento, segundo o proprietário da livraria, a venda é maior para estudantes da educação infantil e ensino fundamental, ou seja, alunos do pré a 8ª série. O consumidor tem optado muito pela qualidade dos produtos. A procura por cotações de preços estão bem menores que em anos anteriores, revelou.
Souza explica que materiais com personagens, como Ben10 e Barbie, por exemplo, são os mais vendidos, no caso para público infanto-juvenil. Eu percebo que muitos pais tentam negociar com os filhos e acho isso muito interessante porque ele acaba ensinando o filho o que é importante a ele e o que pode comprar. Ele acrescenta que este ano, em relação ao ano passado espera um aumento de até 15%. As expectativas são boas, completa.
A gerente de outra papelaria na cidade, que preferiu não se identificar, também comenta que o movimento cresceu significativamente nos últimos dez dias. No entanto, segundo ela, os clientes deixarão para comprar na última semana que antecede o início das aulas. Existem aquelas pessoas que preferem comprar com antecedência para evitar filas. Mas todos os anos a maioria dos clientes vêm na última semana, explicou.
Conforme a gerente, o movimento na livraria cresceu em torno de 10% nas duas últimas semanas. Até o início das aulas ela espera um crescimento de até 20%. Muitas pessoas comparecem com antecedência apenas para fazer orçamento e acabam voltando nos últimos dias das férias. O consumidor está preocupado em economizar e mais exigente, enfatizou.
Consumidor abre mão de pesquisa de preços
Muitos consumidores, para não abrirem mão da variedade e qualidade dos produtos, acabam não fazendo as tradicionais pesquisas de preços, o que pode encarecer e muito as compras. Este é o caso da professora Shirley Ramiro. Ela comprou ontem o material para a filha e revelou que não fez pesquisa de preços porque optou pela variedade e qualidade dos produtos. Shirley explica que o material da filha e do sobrinho saiu por cerca de R$ 300.
Segundo a professora, apesar de não fazer pesquisa de preços, ela notou uma grande diferença de preços dentro da própria livraria. Tem cadernos com a mesma quantidade de folhas que custam de R$ 3 a R$ 11 somente por causa de uma capa, observou. Outro detalhe que deixou a compra um pouco mais cara é que ela não resistiu aos apelos da filha. Os cadernos foi ela quem escolheu. Não teve jeito. Para compensar escolhi outros itens, disse sorrindo.
A auxiliar de serviços gerais, Roseli Aparecida dos Santos, é outra que não pesquisou por preços mais baixos. Segundo Roseli, seu caso é mais específico. Ela é cliente há algum tempo em uma mesma livraria. As pesquisas até nos permitem economizar, mas muitas vezes o cansaço e o desgaste não compensam. Além do mais os materiais mais baratos muitas vezes não são de boa qualidade, explicou.
Roseli também comprou ontem o material escolar para a filha de sete anos. Ela gastou em torno de R$ 142. A auxiliar comentou que esperava uma conta maior. Até fiquei surpresa. Na lista escolar parecia tanta coisa, disse. Como Roseli é cliente antiga da loja, outro ponto observado por ela é a facilidade de pagamento, que pode ser parcelado em até seis vezes. No final acaba não compensando fazer as pesquisas. Sempre com um chorinho no caixa o valor acaba diminuindo um pouco também, garantiu.
Se por um lado existem consumidores que optam pela variedade e qualidade abrindo mão de um preço mais baixo, por outro, há aqueles que garantem que vale à pena fazer um levantamento de preços. É o que diz o pedreiro Agenor Correa. Em casa somente ele compra os materiais para os três filhos e não abre mão de uma boa pernada em busca de preços mais acessíveis. A economia é certa garante ele. Começo de ano tem que apertar o cinto. Não tem outra saída, disse.
De acordo com Correa, existem produtos que não são de marcas e têm a mesma qualidade de outros bastante conhecidos no mercado. Ainda tem gente que prefere materiais de marca. Cada um tem seu gosto e sabe o quanto pode gastar. Eu economizo do meu jeito, falou. Ele acrescentou que quando vai às comprar prefere deixar os filhos em casa, o que deixa a conta menos ‘salgada’. E olha que vale à pena, completou.
Preços variam até 94%
Neste mês o Procon divulgou uma pesquisa que avalia os preços da lista escolar praticados por livrarias e papelarias da cidade. O levantamento indica uma cotação válida para o período de compras de 14 a 31 de janeiro. A pesquisa apontou variação de preços de até 94% de um mesmo produto apenas com marcas diferentes. Ao todo, 45 itens foram pesquisados. Praticamente todos sofreram variação de um estabelecimento a outro.
Apenas duas empresas responderam ao questionário encaminhado por e-mail pelo órgão. Os itens que tiveram variação mais expressiva foram o apontador com depósito, de R$ 0,18 a R$ 0,35 de um estabelecimento a outro, sofrendo uma variação de 94%; minidicionário, de R$ 1,99 para R$ 2,99, (50%); caneta esferográfica, de R$ 0,18 a R$ 0,25, (39%); giz de cera fino com 12 cores, de R$ 0,59 a R$ 0,80, (36%); caneta marca texto, de R$ 0,45 a R$ 0,60, (33%); lápis preto número 2, de R$ 0,9 a R$ 0,12, (33%); e a resma com 100 folhas de papel sulfite, que variou de R$ 1,99 a R$ 2,35, diferença de 18%.
Confira as dicas do Procon para compra dos materiais escolares
* Verifique se todos os itens são pertinentes: o objetivo com isso é evitar a exigência das escolas para que os pais adquiram materiais de determinadas marcas ou, ainda, indicar a loja onde a lista deve ser comprada;
* Deixe as crianças em casa: com os filhos em casa, os pais não se deixam influenciar pela escolha de produtos personalizados e, muitas vezes, mais caros;
* Faça um levantamento do que pode ser reaproveitado: muitos itens sobraram do ano anterior e representam uma boa economia no final das contas;
* Exija sempre a Nota Fiscal: se houver qualquer problema, mesmo que o produto seja importado, os pais têm garantia de 30 dias para artigos não duráveis e 90 dias para duráveis contra defeitos aparentes;
* Pechinche: na hora da aquisição, vale pedir descontos, principalmente se a compra for à vista. Já, quando pagamento for realizado a prazo, sobretudo com cheques pré-datados, essa modalidade deve ser especificada na Nota Fiscal.