Garantir segurança é mais um desafio a ser superado

Furtos a residências e assaltos à mão armada, em plena luz do dia. Os comerciantes de Campo Mourão estão assustados com a incidência dos ataques criminosos. Mesmo caminhar pelas ruas da cidade, dependendo do horário tornou-se perigoso. Para manter o vício das drogas, os criminosos não escolhem vítimas. No início dessa semana, em um único dia, foram três furtos e dois roubos. Em um deles, uma moradora do Jardim Alvorada chegou em casa e não conseguiu acender as luzes. Ao verificar melhor, percebeu que toda fiação elétrica do imóvel havia sido furtada. O bandido havia quebrado o cadeado da porta para entrar.

No mesmo dia a Polícia Militar registrou dois furtos e roubos de bicicletas e um idoso acabou sendo obrigado a entregar a carteira com dinheiro e documentos para um assaltante, na área central. Próximo ao local, um adolescente de 13 anos foi cercado por um grupo de ciclistas, que lhe tomaram o aparelho celular. Também levaram dele uma corrente prateada de Baly e o par de  tênis.

Números como esses são apenas pequena mostra do que o tema segurança pública reserva ao futuro prefeito de Campo Mourão, a partir de 2013. O desafio é grande, principalmente se levarmos em conta a redução do efetivo da Polícia Militar para o combate. Embora não divulgue números oficiais, por uma questão mesmo de segurança, nos últimos dez anos o 11º Batalhão da Polícia Militar (BPM) perdeu pelo menos 30% de seu efetivo. A maioria foi para a reserva e não houve reposição. Se não bastasse isso, a área de atendimento do 11º BPM foi ampliada, de 25 para 31 municípios nesse período. Atualmente, 200 alunos estão se formando em uma escola aberta em Maringá, mas ao final do curso eles serão distribuídos por pelo menos cinco sedes de batalhões do interior.

O 11º BPM de Campo Mourão não deverá receber mais que 40 homens e ainda assim terá que reforçar a sua área de abrangência, composta por 31 municípios, incluindo Cianorte e Goioerê. Para o 1º tenente Aguinaldo Gentil de Alencar, que responde pela Seção de Justiça e Disciplina, e o setor de Planejamento do quartel, os desafios são muitos a ser superados pelo próximo prefeito. Sabemos que o Governo Estadual está bem intencionado no sentido de completar o efetivo, mas a defasagem é muito grande. Além disso, temos o problema da frota de viaturas, que está sucateada. São situações que dificultam o trabalho da polícia, entende o tenente, que está há mais de dez anos no 11º BPM.

No início da década de 2000, Alencar conta que o problema era a falta de combustível. Hoje temos combustíveis, mas faltam viaturas, o contrário do que ocorria há dez anos, quando a frota estava bem equipada, revela ele. A cidade cresceu, desenvolveu-se, as pessoas fizeram investimentos em imóveis, mas o clima de insegurança tornou-se uma ameaça e um desafio ao próximo prefeito de Campo Mourão.

Criminosos estão mais armados e violentos

Com as forças de defesa enfraquecidas, a criminalidade entrou em cena com mais poder. Os bandidos tornaram-se mais violentos e um simples roubo pode terminar em tragédia. Foi assim em agosto de 2008, quando o empresário Junior Tazinazzo, 52, proprietário da Transportadora Tamoyo perdeu a vida durante um assalto. No ano passado, outro empresário dono de uma churrascaria, ficou frente a frente com a morte. Moacir Tadeu Coelho foi salvo pela intervenção da PM, que chegou a tempo e matou o adolescente que o mantinha na mira de um revólver, dentro de sua churrascaria.

Eu pensei que ia morrer, porque o bandido estava nervoso. Ergui os braços e olhava a arma apontada na minha direção, sem poder fazer nada. Graças a Deus a Polícia Militar chegou a tempo, desabafou Moacir, bastante emocionado. Outro rapaz que participava do assalto tentou fugir, mas também foi morto pelos policiais.

O joalheiro Arthur Mourão, 51, trabalha há mais de 30 anos em Campo Mourão, mas neste final de semana terá que tomar uma decisão muito séria: vai decidir se continua o negócio com sua joalheria, ou se fecha as portas. Ele está com medo de morrer, afinal nos últimos dias teve a sua loja invadida três vezes pelos bandidos. Na sexta-feira lutou com um dos criminosos e só não perdeu a vida porque a arma do assaltante falhou. Ele apertou três vezes o gatilho em direção à minha cabeça, mas a bala não saiu. Na segunda-feira decido se continuo trabalhando ou se abandono o negócio, afinal é minha vida que está em jogo, lastima Mourão.

Sua esposa estava chegando e viu os bandidos entrando e baixando as portas. Ela acionou a PM, mas quando a viatura chegou a quadrilha já havia batido em retirada. Mesmo assim, dois acabaram presos, mas as jóias levadas do empresário ainda não foram recuperadas. Perdi praticamente todo o meu estoque. No assalto anterior levaram jóias de clientes. Não tem mais jeito. O prejuízo material a gente ainda dá um jeito, mas a vida não tem preço.

Forças desiguais

Essa violência dos criminosos preocupa a PM. São policiais guerreiros, que não podem recuar diante do perigo. A falta de efetivo reflete, principalmente em cidades menores, onde os destacamentos chegam a ser comandados por um ou dois homens. Em Ubiratã, ao perseguir um grupo de assaltantes, em apenas dos policiais, um acabou morto, ao lado da viatura e outro ficou ferido, no mês de março. Além do aumento dos crimes contra o patrimônio, as ações se tornaram mais violentas. Antes os bandidos se contentavam apenas em levar os bens materiais, sem fazer mal às vitimas. Hoje eles estão fortemente armados, são violentos, agridem, ameaçam e até matam, dependendo da reação da vítima, afirma o tenente Alencar. A violência tem como pano de fundo o tráfico de drogas. Nos últimos anos Campo Mourão sepultou centenas de jovens e adolescentes, vitimas desse mal.

Como cidadãos mourãoenses, gostamos muito dessa cidade e confiamos que  o prefeito possa assumir o compromisso de brigar pela segurança pública. Por mais que haja boa vontade do Governo Estadual, as lideranças políticas precisam estar cobrando mais efetivo, materiais e equipamentos para a polícia. O interesse pela segurança de uma cidade é dever de todos, encerra tenente Alencar. (CB)

Pais procuram Conselho Tutelar para salvar os filhos das drogas

O envolvimento de adolescentes com as drogas tem surpreendido o Conselho Tutelar de Campo Mourão. Segundo relatório do órgão, de janeiro a abril deste ano, foram registrados 45 casos de substâncias entorpecentes, além de outras 69 ocorrências que foram encaminhadas para o Ambulatório de Saúde Mental (ASM) do município.  A presidente do Conselho Tutelar, Kléia Matos Dutra disse que ultimamente os atendimentos estão se resumindo às questões de drogadição. Temos recebido muitos pais que nos procuram pedindo ajuda porque não sabem mais o que fazer com os filhos envolvidos com entorpecentes. Nesses casos fazemos encaminhamento para os órgãos competentes para que tomem as medidas cabíveis em cada situação, diz Kléia.

O que mais preocupa, segundo a presidente do Conselho Tutelar é saber que as drogas são o primeiro passo para o acesso do adolescente ao mundo do crime, além de outros prejuízos como a evasão escolar. Chega a assustar, pois são muitos pais preocupados porque não sabem mais como lidar com a situação. E as conseqüências são muito graves, pois sabemos que a drogadição vai culminar com a criminalidade e também o abandono da escola. São muitos os casos de evasão escolar, motivados pelas drogas, afirma ela.

Para a conselheira Luana Maluf, o município deveria promover mais palestras nas escolas, apresentando aos estudantes as conseqüências negativas causadas pelo efeito das drogas. Isso seria importante, pois são muitos os adolescentes já envolvidos com as drogas, um mal que infelizmente se popularizou. Hoje, o acesso a maconha e ao crack, principalmente está muito fácil e isso leva muitos jovens à perdição, pois no caso do crack basta usar uma ou duas vezes para que a pessoa se torne um novo dependente, preocupa-se Luana.

Todo atendimento dessa natureza, registrado no Conselho Tutelar é encaminhado para os programas da rede de proteção do município. Campo Mourão possui ainda algumas clinicas de recuperação de dependentes químicos, como a Comunidade Terapêutica Redenção (CTR), a Comunidade CRER, pertencente à igreja Assembleia de Deus, ministério Madureira, além outras casas de recuperação, sendo uma exclusiva para o atendimento de mulheres. Responsável pela Comunidade CRER, o pastor Sidney Farago, revela que a maioria dos dependente que procura ajuda está diretamente ligado com a criminalidade. Não porque eles querem, mas por uma questão de necessidade. A maioria são pessoas boas, de bom caráter, de família, mas sabemos que para ser bandido hoje não precisa usar drogas. O Fernandinho Beira Mar nunca usou drogas. O problema é que por consequência da falta da droga e pela ansiedade em manter o vício, eles acabam praticando delitos que comprometem toda a sociedade, afirma o pastor.

Luana explica que em todos esses órgãos, a pessoa precisa aceitar o tratamento. Se a pessoa não tiver boa vontade e não quiser ficar no local, ninguém pode segurar. Tem pai que chega implorando para que a gente mantenha o filho internado, mas não tem jeito. Nenhuma casa de recuperação segura quem não aceita o tratamento. Além desses programas, a Polícia Militar também atende com programas preventivos, como o Proerd e o Formando Cidadão.

No caso do Proerd, o policial vai até as escolas e repassa aos alunos da 4ª série, instruções de como evitar o contato com as drogas. Já o Formando Cidadão acolhe adolescentes em situação de risco social. São garotos que não estão envolvidos com entorpecentes, mas no bairro ou local onde vivem estão mais propensos ao contato com traficantes. (CB)