A dor de Neusa Rosa, 40 anos, pela perda do filho Eduardo Rosa, 19 anos, morto em 25 de setembro do ano passado está longe de ser amenizada. Mesmo passado quase oito meses do falecimento do único filho homem que tinha, Neusa ainda não sabe o motivo de sua morte. Ou seja, até hoje ela espera o atestado de óbito de Eduardo. A causa mais provável seria overdose, mas como o Instituto Médico Legal (IML) não conseguiu esclarecer a causa durante a necrópsia feita em Campo Mourão, o material foi encaminhado para um laboratório de toxicologia, no IML de Curitiba.
Durante essa semana Neusa foi informada de que ainda não há previsão de quando o laboratório vai realizar o exame para esclarecer a causa da morte do rapaz. Enquanto isso, Neusa é cobrada pelos administradores do cemitério São Judas Tadeu, onde Eduardo foi sepultado para que apresente o documento e regularize a situação. Levei uma declaração do IML ao cemitério, mas não foi aceito. Preciso mesmo é do atestado de óbito, que vai apresentar a causa da morte do meu filho. O cemitério está passando por uma reforma e estou sendo cobrada para regularizar logo essa documentação, disse Neusa.
Além disso, a falta do documento impediu a mãe de Eduardo de sacar o fundo de garantia que ele tinha na empresa onde trabalhava. O dinheiro, segundo Neusa, poderia ter sido usado para pagar as despesas com o funeral. Ele trabalhava registrado em uma empresa de marmoraria e por falta do atestado de óbito, não conseguiu sacar o fundo de garantia. Com o passar do tempo ate já perdi esse direito, embora não me preocupo com isso porque graças a Deus eu trabalho e não tenho necessidade desse dinheiro. Mas é muito difícil a gente perder um filho e ainda não saber a causa da sua morte, lamentou.
Neusa é uma mulher batalhadora. Possui um trailer, com o qual vende lanches na cidade. O filho Eduardo, sempre que possível a ajudava. O drama do filho com as drogas começou ainda na adolescência, na escola. Quando Neusa percebeu o problema, tentou ajudar o filho. Foi ao Conselho Tutelar, conseguiu uma clinica para internação, mas Eduardo não aceitou, pois acreditava que venceria o vicio por conta própria. É muito triste, porque adolescente pensa que sabe tudo e ele não aceitava ajuda. Por várias vezes ele passava longo período tranqüilo e eu me animava, acreditando que tudo estava resolvido. Mas depois começava tudo de novo, lastima.
Com o passar do tempo, Eduardo se tornou maior de idade, mas não conseguia se livrar das drogas. Mesmo assim, Neusa garante que o filho foi sempre muito trabalhador, honesto e honrava com seus compromissos. Ele trabalhava e tinha o dinheiro dele, com o qual comprava roupas e calçados. Mesmo quando comprava no meu nome ele fazia questão de pagar. Mas as drogas passaram a fazer um estrago na saúde do rapaz, a ponto dele reclamar de muitas dores no peito, por várias vezes. A mãe, sempre preocupada, o levou para o médico e pagou consulta particular. Os exames não apontaram nenhum problema.
O fim
No dia 25 de setembro do ano passado, um sábado, Eduardo levantou bem cedo e saiu para comprar roupas. Voltou e ajudou a mãe a lavar o carrinho de lanches. Depois a família almoçou e o rapaz disse para a mãe que ia deitar-se, pois estava muito cansado. Nem me preocupei, pois ele trabalhava em serviço pesado e achei normal. Neusa saiu para trabalhar e deixou o filho na cama. Durante a noite ele saiu com um amigo, mas voltou logo para casa, após passar mal. Pelo que fiquei sabendo, ele saiu e foi a um bar com um amigo, onde jogaram sinuca, mas meu filho não bebeu nada. Depois saíram do bar e ele reclamou que estava com ânsia e com dor no peito. Foi para casa e entrou direto para o quarto, onde só o encontrei no outro dia, na hora do almoço, conta a mãe, emocionada.
Naquela noite, Neusa disse que chegou em casa por volta das 04h30, mas foi direto dormir. Nem passei pelo seu quarto. No outro dia várias pessoas vieram em casa para almoçar e eu sempre preocupada com a ausência do meu filho. Por volta do meio-dia fui até a janela dele e só vi os seus pés no chão. Já pensei no pior, pois sabia que estaria morto, ou muito mal. Quando entrei o corpo dele já estava gelado. Acredito que ele passou mais de dez horas morto no quarto. Hoje tudo o que Neusa quer é ter acesso ao seu atestado de óbito para tentar amenizar um pouco o seu sofrimento.