Valdenício Correa, 54, é seu nome. Há mais de quatro anos o ex-agricultor levava uma vida tranquila com sua família em uma simples casa, às margens da Perimetral Tancredo Neves, no jardim Vitória, região da Vila Urupês. No entanto, há pelo menos nove meses, sua tranqüilidade se transformou em pesadelo. Sua vida hoje é um drama. Segundo ele, após o início da construção de um barracão, no terreno ao lado de sua residência, nem consegue mais dormir direito. Correa alega que o aterramento da obra fez seu terreno ceder. O muro de arrima não foi feito corretamente, afirmou. Desde então, a vida de Vardo, como é mais conhecido, se resume em transtornos e dores de cabeça. Sua casa está praticamente condenada. Com rachaduras espalhadas por todo lado, acreditem, chega a caber uma mão nas fendas.
Diante da situação, o ex-agricultor disse que conversou com o proprietário do imóvel para chegarem a um acordo. No entanto não houve acerto. Ele então recorreu à justiça, que embargou a obra no final do ano passado. Porém, Vardo não pôde comparecer a audiência marcada para o dia 25 do mês passado e, cerca de dezesseis dias depois, viu a obra ser retomada sob autorização judicial. Correa disse que já recorreu da decisão da justiça e espera embargar novamente a construção.
O ex-agricultor tem um filho que está há quatro anos em uma cadeira de rodas. O rapaz sofreu um acidente de moto, no estado de Santa Catarina. Ele perdeu a mobilidade das pernas e teve a memória afetada. Está em fase de recuperação. Vardo justificou que justamente no dia da audiência, teve de levar o filho à Curitiba para tratamento e não pôde comparecer ao Fórum. Contudo, seu advogado o teria representado, pedindo o cancelamento da audiência, negado pela juíza. Correa não sabe mais o que fazer. Ele disse que a defesa civil esteve em sua residência para levantar as condições do imóvel, porém não entregou documento algum a ele com qualquer avaliação. Apenas disseram no dia que estava perigoso. Mas não me entregaram nenhum laudo, reclamou.
As rachaduras estão por todos os cômodos da casa e até em alguns pontos do quintal. Outras residências no mesmo terreno também foram afetadas. Vardo comentou que um de seus inquilinos, chegou a abandonar um dos imóveis com medo de desabamento. Até alguns encanamentos racharam. Eu não sei mais o que fazer, disse preocupado.
Apreensiva, a esposa, Genilda Amaral Correa, 49, que sofre de diabete, comentou que a doença se agravou após o caso. Ela disse que vive diariamente com medo de sua casa desabar. Não podemos sair daqui porque não temos para onde ir, falou. Há mais de quatro anos morando no local, Genilda disse que as rachaduras surgiram após o início da construção. Nem estamos deixando mais o Fernando (o filho) dentro de casa porque temos medo. Estes dias, à noite, ele acordou com um pedaço de cimento que caiu sobre ele, lamentou.
Empresário diz que obra seguiu projeto arquitetônico
A reportagem ouviu o proprietário da construção. Trata-se de um empresário de auto-peças de Araruna. Ele, que preferiu não se identificar, informou que a perícia comprovou que as rachaduras na casa de Valdenício não foram provocadas por sua construção. A perícia comprovou que não tem nada a ver, garantiu. Ele afirmou que está com todos os documentos em mãos. Segundo o empresário, toda a obra está planejada de acordo com projeto arquitetônico. A retomada da construção foi liberada pela justiça após análise da perícia.
Todos os projetos da obra foram aprovados. Não tem nada de irregular. Inclusive a prefeitura liberou a construção, ressaltou. Todo o projeto foi acompanhado por um engenheiro civil. A perícia foi feita. Tenho os laudos em minhas mãos. Não tenho culpa, acrescentou.
O empresário reclamou que teve prejuízos devido à paralisação da obra por praticamente seis meses. A construção foi embargada em dezembro. Tive os prejuízos, mas nem fui atrás porque não queria confusão, frisou. No entanto, ele não informou valores. O proprietário da obra revelou que o terreno de Valdenício está invadindo 22 centímetros de sua propriedade. A perícia apontou várias irregularidades na construção dele. Não tem muro de arrima e vigas de respaldo. Ele não tem projeto da construção, completou.