Na economia, é muito comum a taxa Selic (Sistema Especial de Liquidação e Custódia) ser mencionada. Mas são poucos os que sabem o que exatamente é esse tributo.
Segundo o professor doutor em economia e Conselheiro do Conselho Regional de Economia, João Carlos Leonello, essa taxa é a base de todo o sistema de juros que a economia brasileira desenvolve. É um sistema que o Banco Central tem no qual são registradas todas as transações entre os bancos. Porque os bancos também procuram dinheiro entre os agentes, emprestam dinheiro. E o governo precisa de recursos para financiar a máquina administrativa. Às vezes falta dinheiro, o Governo vende títulos, e a Selic é a taxa que remunera os títulos públicos – os títulos que o Governo coloca no mercado. Esses registros são feitos diariamente, de todas as transações de demanda e oferta de dinheiro por parte dos bancos, e no final de cada dia, chega-se a uma taxa básica, explica o economista.
O que faz a taxa Selic aumentar ou diminuir é essa demanda de crédito. O governo passou a baixar a Selic e a exigir que os bancos baixem as taxas de juros. Caindo o valor dos juros no mercado, a tendência é baixar ainda mais a taxa Selic. O empresário, por exemplo, vai ter um crédito para investimento mais barato. Ao investir, as empresas geram mais emprego, e a economia passa a movimentar mais, e as pessoas passam a consumir mais. A Selic é a taxa que limita a oferta e demanda por crédito.
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Mudanças na poupança
A poupança mudou. E com a nova regra, que começou a valer no dia quatro desse mês, os depósitos realizados agora renderão o equivalente a 70% da taxa básica de juros (Selic), mais a TR (Taxa Referencial do Sistema de Lote de Juros, utilizada no cálculo do rendimento de vários investimentos), toda vez que a Selic for igual ou inferior a 8,5% ao ano. Quanto a isso, Leonello explicou que quando o Governo reduz a taxa, os bancos passam a pagar menos juros, e o rendimento em títulos não fica tão atrativo. Então, se o Governo não mexesse na poupança, a poupança ficaria muito atrativa. Recursos de aplicação em títulos e ações iriam todos para a caderneta de poupança. Até porque ela não é tributada no imposto de renda e não tem comissão. Nós não pagamos para os bancos administrarem esse dinheiro nosso.
Mas ele tranquiliza, informando que foi uma necessidade na nossa economia, que a poupança não deixou de ser atrativa. Quem usa a poupança não está perdendo. Está tendo os rendimentos compatíveis com o mercado. É uma redução bem pequena, mas o que nós pagamos em outras contas (como por exemplo, crediários e aquisição de um carro), também está diminuindo. Reduz um pouco o ganho, mas também reduz o custo de quem está buscando esse dinheiro. Para o mercado isso é bastante atrativo, e essa redução pode fomentar o consumo ainda mais.
Segundo o economista, essa redução de taxa de juros é algo favorável aos consumidores, já que a Selic está ligada a todas as outras taxas de juros. À medida que os empresários precisam de dinheiro para, por exemplo, ampliar empresas ou para reinvestir, ele passa a pagar menos por esse dinheiro, e isso acaba gerando produtos com custos mais baratos. E ainda, com essa redução das taxas de juros, é possível que, a médio/longo prazo, o Governo possa também entrar na redução da carga tributária, que é o tão esperado pelo empresariado brasileiro.