Ratos assustam a população de C. Mourão

O rato é, para a maioria das mulheres, um dos maiores vilões que podem surgir dentro de casa – perdendo apenas para as baratas. O roedor que utiliza a rede de esgoto como pista para chegar aos mais variados locais tem assustado a população de Campo Mourão. Em duas empresas que trabalham com a dedetização na cidade, a procura para eliminá-los cresceu nos últimos anos. Em uma delas, fala-se até em infestação.

Os ratos se reproduzem em condições de higiene precárias e podem trazer diversos prejuízos ao município, tanto em relação a saúde como até outros de ordem econômica. Moradora de uma casa da região central há mais de cinco anos, uma mulher que preferiu não ter o nome revelado, contou que no último final de semana, levou um susto. Quando vi três ratos em casa fiquei desesperada. Segundo ela, nunca havia sido registrado qualquer problema neste sentido. Para acabar com os roedores, foi contratada uma empresa que presta serviços de dedetização. Foi quando me contaram que o número de chamadas para resolver esse tipo de problema está maior do que a capacidade de atendimento deles.

Como trabalha na área da saúde, mais do que a simples repulsão que o animal causa, sua preocupação é com as doenças que a presença do animal pode gerar. Se eles estiverem se reproduzindo e logo vem uma chuva, é perigoso surgir algo como a leptospirose, diz.

A presença das águas pluviais além de aumentar o risco de doenças força os ratos a saírem para a superfície. Como ultimamente o volume registrado a cada chuva é muito grande, tem inundado as galerias. Os ratos não vão querer morrer afogados, explica Alessandra Berbet, sócia de uma empresa que realiza esse trabalho. Ela alertou que, apesar dos terrenos baldios e a sujeira de uma forma geral serem agravantes para o problema, a rede de esgoto é o principal caminho para o animal chegar até a casa. Já chegamos a atender pessoas que moram em apartamentos que tiveram problemas com roedores, acrescenta.

Seu marido, Luciano Sobreira Xavier, explicou que os ratos sempre existiram na rede de esgoto, mas que a preocupação só acontece quando os roedores estão na casa. É feito um controle sintomático. Isso é, tendo a infestação, a população vai atrás. Não é feita a limpeza como deveria ser.

Carrapatos

As duas empresas consultadas pela TRIBUNA explicaram que além dos ratos, há um problema muito grande com os carrapatos, maior do que com os roedores. Uma delas citou que recebe duas ligações semanais de infestação de carrapatos. No caso de ratos é em média uma por semana. A prefeitura foi consultada e informou que não tem responsabilidade sobre a tubulação, que este trabalho cabe a Sanepar.

Sanepar defende que ligação pode diminuir o problema 

O gerente regional da Sanepar, Edson Lima, explicou que o principal criadouro de ratos são as redes sem uso após a ligação com o esgoto, quando está sendo feito o pagamento pela utilização. Além disso, ele alertou que é preciso fazer o isolamento correto da fossa.

Lima acredita que o controle periódico desenvolvido pela empresa tem resultados positivos. Temos os chamados poços de visita [que ficam sob as tampas de ferro nas ruas] que servem para avaliação e manutenção da rede. Lá são realizadas lavagens periódicas para minimizar o problema, diz. As informações sobre a forma correta de fazer a ligação com o esgoto podem ser conseguidas na Sanepar.

Formas de Controle

Para erradicar a presença dos roedores em uma residência, existem duas formas principais, que são o controle parafinado e o controle com cola. A decisão sobre qual é melhor para a situação é tomada analisando o caso individualmente, mas em geral, nos casos de infestações maiores é usado o controle parafinado que chega a matar 50 ratos com uma pedra. A cola pode eliminar até 10, cinco em cada placa.

A presença de entulhos, quintais com muita madeira ou árvore frutífera favorece a proliferação dos ratos. Ambientes onde são estocados ou manipulados alimentos que não passam por um controle rigoroso também podem aumentar a incidência, assim como os locais para decantação de detergentes em lava-rápido – o certo seria que fossem cobertos, o que não acontece em Campo Mourão. Também é preciso consciência de cada um, pois se os vizinhos não cuidarem do quintal não adianta eu cuidar do meu, explica Alessandra.

No caso dos camundongos domésticos – o mais comum -, uma fêmea prenha pode ter oito filhotes a cada gestação. Por ano, são de cinco a seis ninhadas. Assim, uma única fêmea pode ser mãe de quase 50 ratos.