No último domingo a TRIBUNA revelou o drama de uma família desesperada com a possibilidade de ficar sem alimentos em casa. Lurdes e Edson informaram que a comida estava acabando. Ele está desempregado há quase um ano. Ela é apenas dona de casa e cuida do filho de sete anos.
Não fossem os bicos do marido, a casa não teria nenhuma renda. Para piorar, o filho de 11 anos acabou de chegar de Santa Catarina, onde estava na companhia dos avós. Chegou a Campo Mourão e não está estudando porque o casal não possui recursos para a compra do uniforme e dos materiais.
Ainda ontem, o jornal recebeu diversas ligações de pessoas querendo ajudar o casal. Uma delas, que preferiu não ter o nome revelado, levou dinheiro e esperança à família. Mais que isso. Pediu à TRIBUNA que fizesse outra matéria solicitando ajuda da comunidade. Depois de visitar Lurdes e Edson, ela relatou que ambos necessitam de alimentação, roupas de frio, uniforme e bolsa escolar ao filho mais velho, além de materiais que possam melhorar a casa velha de madeira.
Eles necessitam mesmo de amparo, afirmou a voluntária. Edson também pede um emprego como ajudante de caminhão. Toda ajuda é bem vinda e pode ser levada diretamente à casa da família, na Rua 1 número 179, na Vila Guarujá.
Edson e Lurdes sempre foram pobres e, definitivamente, impedidos de melhores oportunidades devido à falta de escolaridade. Quase não estudaram. Hoje, vivem em péssimas condições num barraco cheio de frestas. Possuem apenas uma cama. Os filhos dormem num colchão na sala. Não possuem geladeira e, por isso, não podem ter alimentos como carnes na casa. O filho de 11 anos está fora da escola porque os pais não têm dinheiro para comprar material e uniforme. Estamos passando a pior fase da nossa vida, afirma o pai.
Menino volta às aulas
Após a matéria publicada no último domingo, a secretaria de Educação do município entrou em contato com a família para verificar a situação das crianças. Segundo a secretária, Rita de Cássia Carteli de Oliveira, graças à TRIBUNA, mais uma criança está estudando. Quando li a reportagem nós já acionamos o pessoal da secretaria e levantamos que o menino de 11 anos deveria estar no 6º ano da Educação Estadual, comenta.
Ela explicou que ele estava devidamente matriculado na escola Castro Alves até pedir transferência para mudar a Santa Catarina. Não tivemos informação de que ele retornou até o domingo, quando a família contou sua história. A secretária explicou que como havia interesse dele e dos pais para que ele voltasse a estudar, os funcionários o encaminharam ao colégio estadual Osvaldo Cruz. A direção da escola disponibilizou uniforme e material didático ao pré-adolescente. Desde ontem ele já estava estudando, finaliza Rita. (Ana Carla Poliseli)