Movimento nas gráficas cresce 40%

Apesar da campanha eleitoral ainda estar ‘morna’ nas ruas da cidade, o pleito é visto como uma oportunidade de aumentar o volume de negócios ou conseguir um emprego. Uma das maiores demandas ocorre no setor gráfico, responsável pela impressão dos populares santinhos e de adesivos para carros. Em quatro gráficas pesquisadas pela TRIBUNA, a média do crescimento no volume de pedidos é de 40% em relação ao mesmo período do ano passado.

O proprietário de uma gráfica em Campo Mourão, José Carlos Correia Santos, explicou que no início do mês começaram os pedidos de orçamentos pelos candidatos. O material passou a ser rodado a partir do dia nove e desde então, as máquinas não pararam. Há um aumento que vai de 40 a 50% nesse período. Os pedidos praticamente dobram mesmo e para atender a essa demanda é preciso trabalhar dobrado. Ele relatou ainda que apenas um candidato a vereador encomendou mais de 100 mil cartões de visita. Em Campo Mourão, segundo o Tribunal Regional Eleitoral (TRE), são 167 concorrendo por 13 vagas na Câmara de Vereadores. Para prefeito, são três candidatos. E todos querem o serviço para ontem, brinca ao explicar que essa primeira encomenda é feita sempre com urgência.

A mesma situação se revela na gráfica de José Carlos Diniz, mais conhecido como Di Carlos. Ele explicou que o expediente normal termina por volta das 18 horas, mas que desde que os pedidos de campanha começaram a chegar todos os funcionários estão ficando até por volta das 23 horas. Já chegamos a trabalhar até meia noite para atender aos pedidos. Na eleição passada, ficamos muito com candidatos locais, mas agora, estamos fazendo a região. As cidades pequenas vem procurar serviços gráficos aqui em Campo Mourão, acrescenta.

Para dar conta de tanto trabalho e continuar atendendo aos clientes comerciais, a solução é contratar temporários. Nós já tivemos de procurar alguns funcionários freelancers para atender os momentos de pico até o final da campanha, diz Di Carlos. Na outra gráfica, a vaga está aberta. O difícil é conseguir mão de obra especializada, coloca Santos. Segundo ele, há um bom tempo a empresa colocou um anúncio informando que precisaria de funcionário, mas apenas  uma pessoa ligou e não estava apta para ocupar o cargo. Para trabalhar com as máquinas é complicado encontrar pessoal. Isso segura também a produção, ressalta o proprietário.

Aumento de custos

Mas se aumenta o volume de trabalho, isso não se reflete necessariamente incremento nos lucros. É preciso saber cobrar um preço justo porque os custos também aumentam muito nesse período, detalha Santos ao elencar o aumento de funcionários, conta de luz, e a matéria prima como responsáveis por ‘segurar’ o faturamento da gráfica. Tem vezes em que é melhor trabalhar menos com um lucro maior.

O que pode e o que não pode na propaganda impressa

A lei eleitoral já restringiu bastante a utilização de material gráfico e impresso durante a campanha eleitoral no Brasil. De acordo com a resolução nº 23.370, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a Lei Eleitoral 9.504/97, a publicidade deve ser editada sob responsabilidade do partido, coligação ou candidato e deve conter o número de inscrição no CNPJ ou o CPF do responsável pela confecção, bem como de quem a contratou e a tiragem.

Os candidatos são proibidos de fazer propaganda em outdoors, sob pena de retirada da propaganda irregular e pagamento de multa no valor de R$ 5 mil a R$ 15 mil. Já os brindes, bastante tradicionais em eleições antigas, também estão proibidos nesta eleição. O TSE proíbe a confecção, utilização e distribuição de camisetas, chaveiros, bonés, canetas, brindes, cestas básicas ou quaisquer outros bens ou materiais que possam proporcionar vantagem ao eleitor.

Placas e faixas podem apenas ser fixadas em bens particulares, observado o limite máximo de 4 metros quadrados. De acordo com a resolução, é permitida a distribuição de impressos até às 22h do dia que antecede as eleições e não depende da obtenção de licença municipal e de autorização da Justiça Eleitoral.