Pela primeira vez a equipe do Hospital Santa Casa foi responsável única pela captação de rins. A paciente tinha 54 anos. Geralmente o procedimento inclui a retirada de vários órgãos, sendo necessária a presença da equipe da Central de Transplantes do Estado. Nessa situação, como não havia nenhuma equipe técnica da Central que pudesse realizar o processo, foi feito o convite para que a equipe médica credenciada da Santa Casa o realizasse.
De acordo com o médico Eufânio Saqueti, a instituição é credenciada para realizar o procedimento e a equipe já vem se preparando, mas esta foi a primeira vez que realiza o processo. Tinha poucas horas para realizar a captação, e a Central fez o convite, diz. Os rins, depois de retirados, podem ser conservados fora do corpo por até 48 horas. No caso dessa paciente, apenas os rins puderam ser retirados em função da doença que a levou a óbito.
Para o médico, o principal motivo de muitas doações não serem autorizadas está na falta de uma equipe especializada no hospital que realize a abordagem correta com a família. Em Campo Mourão, a Santa Casa conta com a Comissão Intra-hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos (CIHDOT), responsável pela abordagem.
Saqueti lembra que há todo um protocolo a ser seguido que inclui a constatação da morte, a conversa e autorização da família para que órgãos e tecidos possam ser captados e encaminhados para doação. Entre as maiores dificuldades está a falta de diálogo entre a família, em que a pessoa deixe claro o desejo de ser doador. Dessa maneira, se necessário, a família já estará informada e possivelmente atenderá o desejo do doador. Muitas pessoas gostariam de ser doadoras, mas a família não sabe, ressalta.
Além de Saqueti, a equipe de captação de rins da Santa Casa conta com o médico Wilson Ricardo Rosolem e as enfermeiras Iara Riva e Graziela Vieira. Os rins captados em Campo Mourão foram levados para Curitiba, onde a Central de Transplantes seleciona o receptor compatível com os órgãos doados.
Doações no primeiro semestre
Na macrorregião de Maringá- que inclui as regionais de saúde de Campo Mourão, Umuarama, Cianorte, Paranavaí e Maringá – no primeiro semestre desse ano foram realizados 67 transplantes de córneas e dez de rim, sendo que deste último, dois foram intervivos, ou seja, quando um órgão duplo ou parte de um órgão ou tecido são doados em vida.
No Paraná, entre janeiro e junho desse ano, foram feitos 43 transplantes de fígado, 124 de rim, 84 de rim intervivos, dez de coração, 557 de córneas, quatro de pâncreas isolado e seis conjugados (rim e pâncreas). Neste último caso, diante de alguns diagnósticos, há a necessidade de realizar o transplante dos dois órgãos.
O que pode ser doado?
Córneas, coração, pulmão, rins, fígado, pâncreas, ossos, medula óssea, pele e válvulas cardíacas. Em vida podem ser doados órgãos duplos, como o rim, ou parte como pâncreas, fígado, pulmão e medula óssea. Nos casos de transplantes intervivos, o doador passa por uma avaliação médica e é necessário que haja compatibilidade sanguínea com o receptor.