Adultos que não saem do ninho

Muitas pessoas têm preferido continuar morando com os pais, após os 30 anos de idade. Seja por comodidade, necessidade própria ou para auxiliar aos pais, há uma forte tendência nisso. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 6,8 milhões de brasileiros vivem assim, ou seja, 3,5% da população.

O luthier, Marcos Rosa, tem 35 anos e vive com os pais. Segundo ele, acabou ficando na casa por ter montado o próprio negócio no mesmo quintal, o que deixa as despesas mais em conta, já que não precisa pagar aluguel. Além disso, é filho único. Meus pais às vezes precisam de mim e assim estou sempre por perto.

Segundo ele, nunca casou porque não deu certo. Acho que casar não é brincadeira e as pessoas não estão levando a família a sério em sua maioria. Os casamentos não duram dois anos. Prefiro esperar algo certo.

Com a atitude, afirma que só tem vantagens, já que os pais o apoiam em tudo e dão força no trabalho dele. Mas também diz que, se precisar, não terá problemas em morar sozinho, já que garante que sabe fazer de tudo, cozinhar, lavar etc.

Já o empresário, advogado e professor, Jorge Fernandes de Morais, 50, diz que nunca teve a intenção de casar e acabou ficando solteiro mesmo. Aos 17 anos, foi para Curitiba estudar e ficou lá por 13 anos. Voltou para Campo Mourão e para a casa da mãe. Além dele, a irmã de 58 anos também mora na mesma casa.

Para Morais também só existem vantagens. Você continua fortalecendo a família e há o companheirismo, o que também deixa a família mais sólida. As pessoas são solidárias, sem interferência de pessoa estranhas. É algo que acaba transmitindo mais segurança para a mãe também, que ele afirma gostar de ter os filhos por perto. Além disso, diz que as vantagens econômicas também são importantes.

Já o técnico em informática, Almir Gomes, 31, está numa situação um pouco diferente. É casado, mas mora também com a mãe. Ela não tem renda própria por ter sido basicamente dona de casa a vida toda e precisa de alguém para tomar conta dela.

Mesmo garantindo saber fazer comida, Gomes afirma que a vantagem é ter sempre alguém para cozinhar quando a esposa não tem tempo. A comida dela é deliciosa. Típico de mãe. Já a desvantagem, é que não há privacidade para nenhum dos dois, diz ele. Apesar disso, a mãe gosta de tê-los por perto. O técnico afirma acreditar que ela preferiria todos os filhos juntos, mas acho que só eu quis assumir o risco.

O contador Vinícius Herculano Silva, ainda não chegou aos 30, mas ele, que está nos 28, acredita que continuará por um bom tempo na casa dos pais e entrará para essa estatística. Moro com eles porque ainda não precisei sair. E ainda não achei alguém para viver junto, casar.

Herculano confessa que acabou ficando na casa pela estabilidade que tem e também por comodismo. A vantagem é o custo de vida menor. E a desvantagem é que, de certa forma, não me desenvolvo, afirma.

Ele diz que, às vezes, até pensa em sair. Mas com a situação em que está, vivendo com os pais, tem muito apoio, pode estudar e também comprar coisas para ele. Mas também garante que, se precisasse sair, não haveria problemas. Como meus pais ficam bastante no sítio, fico muitas vezes sozinho aqui, então sei me virar.

De acordo com o estudo Coabitação Familiar e Formação de Novos Domicílios, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), baseado em dados do Pnad, isso acontece geralmente pela necessidade que os jovens que estudam têm em conseguir moradia a preços acessíveis. Além disso, as condições do mercado de trabalho e a estabilidade também influenciam.

O estudo mostra que, quanto mais elevada é a educação do jovem, maior é a probabilidade de continuar morando com os pais, que são os que, nestes casos, dão maior apoio na formação educacional. Mas entre os principais motivos, apontados por jovens entre 18 e 29 anos morando com parentes, para a coabitação familiar, está a falta de recursos financeiros, com 54,8%.