Alta da carne diminui consumo

Embora a alta dos preços de grãos já esteja sendo anunciada há algum tempo, os reflexos só começaram a ser sentidos no bolso do consumidor recentemente. Nos últimos 20 dias, a carne de frango e suína teve reajuste de 15% em média. A explicação para a elevação nas gôndolas de supermercados vem do campo e é impulsionada por fenômenos climatológicos no Brasil e nos Estados Unidos.

A seca que fez com que a safra norte americana de milho tivesse uma quebra significativa, aliada aos problemas de estiagem nas principais regiões produtoras do Brasil, fez com que o preço do milho disparasse. O grão é utilizado na produção de ração para os rebanhos.

A analista da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Tania Moreira, explicou que a ração é o item mais importante na formação do preço da carne vendida por atacado, sozinha ela representa 70% do valor cobrado pelo pecuarista. O preço da alimentação determina se haverá rentabilidade ou não com a venda do animal para abate, coloca. Segundo ela, na comparação dos preços de março a julho deste ano com o mesmo período de 2011, houve um aumento médio de 8% no preço da ração.

Como paga mais caro pelo produto, na hora de vender no varejo, supermercados e açougues acabam repassando o reajuste para o consumidor final. Pessoas como Ione. A aposentada mora sozinha e os gastos com alimentação não são muito altos. Mas a carne pesa bastante. Está tudo bem caro nestes últimos dias, lamenta. A solução encontrada por ela é buscar as promoções e diminuir o consumo.

Estratégia adotada pela maioria dos clientes de um supermercado em Campo Mourão. O gerente de loja, Carlos Xireia, explicou que desde que a alta começou, já foi sentida uma queda de 40% na venda dos cortes de frango e suíno. O aumento foi além da expectativa do bolso do consumidor, destaca ao explicar que a população em geral não tem variação de salário em função do aumento dos preços de soja ou milho. Eles fazem suas contas baseados em aumento do salário mínimo ou convenção coletiva e a gente sabe que qualquer gasto a mais é complicado para equilibrar.

No dia 1º de agosto, quem fosse ao estabelecimento que Xireia pagaria de R$ 2,99 a R$ 3,48 pelo quilo da coxa de frango. Hoje, a mesma marca e qualidade está com preços entre R$ 4,70 e R$ 4,99. Situação semelhante com a paleta suína, por exemplo. No início do mês, o quilo era comercializado entre R$ 3,59 e R$ 3,99. Hoje vai de R$ 5,10 a R$ 5,99.

Promoções

O maior movimento no açougue que Xireia acontece em dias de promoção. O consumidor está aprendendo a esperar para comprar quando há essa queda nos preços. Além disso, o consumo de outras carnes como bovina e peixe tiveram aumentos significativos.

O preço da carne bovina já vinha recuando gradativamente. O clima – chuvas no início do inverno – ajudou o gado a engordar e pode-se antecipar o abate. Isso acelerou a produção e preço da carne vermelha caiu.

Estabilização

Embora alguns especialistas defendam que a tendência é de que os preços se estabilizem, não há qualquer previsão de recuo no valor cobrado pelo frango e suíno.