Comcam tem terra agrícola mais valorizada do Paraná

As terras agrícolas da região de Campo Mourão, sobre tudo na faixa roxa, estão entre as mais valorizadas do Paraná. É o que aponta levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento. Para se ter ideia, em Campo Mourão o hectare – que corresponde a 10 mil metros quadrados-, teve valorização de 47% em relação aos preços praticados no ano passado. Em 2011, era comercializado no município a R$ 25, 3 mil, já nesse ano, R$ 37,3 mil. Já em Peabiru, o aumento foi ainda maior; de 89%, uma marca considerada histórica pelo Deral. Na cidade, o hectare que era vendido a R$ 20 mil, este ano é cotado a 37,8 mil, o mais caro do Paraná. Até então as terras mais caras do Estado estavam na região de Maringá.

Conforme o engenheiro agrônomo e técnico do Deral, Edilson Souza e Silva, os valores médios da região são resultados de pesquisa de campo. O agrônomo informou que foram ouvidos proprietários rurais, cooperativas e corretores de imóveis. Segundo ele, algumas propriedades podem valer mais do que o valor médio apontado na pesquisa, dependendo de sua localização, benfeitorias existentes, e qualidade da terra.

Silva informou que a valorização da terra tem sido em função da boa rentabilidade da agricultura. Ou seja, pelos bons preços alcançados pela soja no mercado e a expectativa de valores recordes para o milho safrinha que começa a ser colhido.  O valor das terras está muito relacionado ao preço do produto. Se a soja está muito valorizada automaticamente a terra também será valorizada quase na mesma proporção, observou.

De acordo com o levantamento que o Deral realiza há 15 anos por meio de sua Divisão de Estatística Básica em todas as regiões do Paraná, as terras sofreram uma forte valorização, no período de 1998 a 2004. A partir daí, houve uma queda, por causa de problemas que atingiram a agricultura brasileira, e só agora os preços estão voltando à normalidade. Silva comentou que a valorização das terras tem tornado a oferta muito baixa. Quem compra essas terras geralmente são produtores grandes. Hoje para você comprar cinco alqueires vai gastar em média quinhentos mil reais, frisou.

O corretor de terra agrícola em Campo Mourão, Ovidio Pires Pedroso, destaca que os valores subiram principalmente devido a garantia de venda da soja e do milho. Os preços ‘levantaram’ porque a soja valorizou, justificou. O corretor afirmou que devido aos altos valores está faltando comprador no mercado. Pedem hoje duas mil sacas de soja por alqueire [24.200 metros quadrados], mas é muito difícil vender. Hoje o alqueire está valendo em média 1,5 mil sacas de soja, ressaltou.

Na região da Comcam, as terras em Iretama foram as que menos valorizaram; 25%. No ano passado, o hectare era vendido a R$ 13,2 mil, nesse ano, o valor aumentou para 16,5 mil. Pedroso comentou que a valorização foi menor devido a pouca área mecanizada no município. Quanto menos mecanizado, mais barato é a terra, completou.

Eduardo Gomes, corretor de imóveis de Peabiru, onde está o hectare mais caro do Paraná, acredita que a alta procura de compradores tem valorizado as terras agrícolas no município. Apesar dos altos valores, ele ressaltou que a oferta é bastante baixa. A procura é muito maior que a oferta, enfatizou. Gomes acrescentou que o tipo de terra – roxa e plana-, também influencia diretamente nos valores. Temos uma área fértil e bastante produtiva. A terra não tem defeito para produzir, completou.