Confusão e agressões na Santa Casa de Eng. Beltrão

O que era para ser uma simples consulta médica terminou em uma grande confusão e agressões na Santa Casa de Engenheiro Beltrão. Um servidor público municipal e o diretor clínico do hospital, Sebastião Pires de Lacerda, entraram em vias de fato após um desentendimento. Até mesmo o prefeito Elias Lima (PSD) acabou envolvido na confusão. O fato aconteceu na noite de segunda-feira (20), às 22 horas, após funcionário da prefeitura levar a esposa para uma consulta.

O médico disse ontem, à reportagem da TRIBUNA, ter sofrido agressões verbais do prefeito da cidade. Ele acusou Lima de abuso de poder. O prefeito chegou [à Santa Casa] exaltado. Totalmente desequilibrado. Disse que era ele que pagava meu salário, denunciou o médico. Lacerda informou que a confusão ocorreu após o servidor chegar com a esposa ao hospital para atendimento. No momento, o médico disse que atendia a outro paciente que estava com fortes dores e teria questionado o funcionário porque ele não levou a mulher ao posto de saúde durante o dia. Lacerda explicou que mesmo assim atendeu a mulher.

Enquanto estava preparando o remédio para ela fui ver o outro paciente que atendia anteriormente. Foi quando fui avisado pelo motorista da ambulância que o marido da mulher estava do lado de fora procurando meu carro. Saí e pedi para a recepcionista abrir a garagem e mostrei para ele onde meu carro estava. Quando virei de costas ele me puxou pelo jaleco, desequilibrei e caí, disse o médico. Lacerda sofreu escoriações no braço direito. Segundo ele, após se levantar revidou a agressão com socos contra o funcionário público. O médico informou que é concursado pela prefeitura e Estado. O profissional registrou um boletim de ocorrência.

Outro lado

A reportagem conversou como prefeito Elias Lima no início da noite de ontem sobre o caso. Lima afirmou que o médico é bastante polêmico na cidade e que várias pessoas já reclamaram dele. O prefeito informou que Lacerda atende no município pelo Programa Saúde da Família (PSF) e recebe da prefeitura para atender plantões na Santa Casa. O prefeito explicou que a esposa do funcionário é hipertensa e estava com fortes dores de cabeça. No entanto, o médico teria receitado apenas um dipirona e a orientado a procurar o posto de saúde no outro dia. Meu funcionário me ligou desesperado por causa da esposa. Então fui ao hospital e orientei a ir para Campo Mourão e disse que conversaria com o médico depois. Quando cheguei à Santa Casa fiquei sabendo que já tinha acontecido a agressão física. Mas não sei quem agrediu quem, disse.

Segundo o prefeito no momento em que já saía do hospital para voltar para casa, o médico chegou alterado e agrediu verbalmente o servidor público. Ele trata todo mundo igual animal. E achou o dia dele. Não aguentei a humilhação que ele fez com o funcionário, disse Elias. Só não mando ele [o médico] embora porque é concursado, acrescentou.

Em sua versão à polícia, o servidor público, que não quis se identificar, disse que o médico o destratou. Ele negou também que tenha procurado o carro do médico e informou que só entrou em luta corporal porque foi insultado e estava preocupado com a esposa passando mal. Ele comentou que o médico negou atendimento e o acusou de ter iniciado as agressões.