Mãe lamenta a morte por atropelamento de filho que só andava a pé

Há uma semana, a dona de casa Aparecida Srutkoski, 69 anos, perdeu um de seus filhos de forma trágica, no trânsito de Campo Mourão e agora tenta encontrar forças para continuar vivendo. Mas está difícil. Com problemas cardíacos, ela diz que evita até passar pelo local do acidente, a menos de 500 metros de sua casa. Seu filho, Cláudio Srutkoski, tinha 44 anos, era solteiro e dedicado no trabalho de jardinagem. O que mais deixa Aparecida inconformada é que o filho era extremamente cuidadoso no trânsito, a ponto de não usar nenhum tipo de transporte que não fosse os pés.

Ele só andava a pé. Não gostava nem mesmo de bicicleta. Sempre dava a preferência para os carros e até mesmo para ciclistas. Sempre dizia que tomava muito cuidado para não ser atropelado, lamentou a mãe. O acidente que tirou a vida de Cláudio aconteceu no sábado passado, por volta das 19 horas, na Avenida Pedro Viriato de Souza, no Jardim Aeroporto.

Ele seguia para casa, a pé, na noite de sábado, quando o condutor de um Kadet o atingiu em cheio, quase em frente à Associação da Polícia Militar. O motorista que provocou o acidente fugiu sem prestar socorro, mas o modelo do carro e a placa (ATR 3333 – Boa Esperança) foram anotados por testemunhas. A Polícia Civil não informou se ele já se apresentou ou não para prestar esclarecimentos do acidente. O Corpo de Bombeiros chegou a prestar atendimento no local, mas a vítima não resistiu. Srutkoski não portava documentos, mas foi reconhecido no local por vizinhos e familiares.

O veículo envolvido no acidente estava em nome de uma pessoa de Boa Esperança. Ele foi identificado, mas contou que havia vendido o automóvel para um morador de Campo Mourão. No entanto, o comprador ainda não havia feito a transferência da documentação. Para o pai de Cláudio, o acidente foi causado por imprudência do motorista. Além de atropelar e matar o meu filho, ele fugiu sem prestar nenhum tipo de ajuda. Pode ser até que estivesse embriagado, criticou o pai da vítima, Luiz Srutkoski, 73 anos, que mora com a família em uma rua, nos fundos do Caic Florestan Fernandes.

Além de Cláudio, outros dois filhos moram com os pais. Cláudio gostava do serviço de jardineiro. Trabalhava diariamente, de sol a sol, e nas sextas-feiras costumava dar dinheiro para a mãe, que não é aposentada. Toda sexta-feira, quando recebia dinheiro ele chegava em casa e já me entregava pelo menos R$ 50,00 para fazer compras no mercado. Foi sempre assim. Ninguém tinha nada para falar dele, pois nem mesmo tinha o hábito de ficar saindo à noite. Tudo que queremos agora é que seja feito justiça.

O pai de Cláudio disse que estava em Mamborê no momento do acidente. Foram me buscar em Mamborê, mas eu não queria acreditar. O pior é que esse mesmo motorista, durante a fuga, quase atropelou outra pessoa. Durante o velório do meu filho ouvimos esse comentário.