Ministros não se entendem sobre reajuste dos combustíveis

A incerteza no reajuste da gasolina este ano, já preocupa donos de postos de combustíveis em Campo Mourão. Nesta semana, o presidente do Conselho de Administração da Petrobras, Guido Mantega (Fazenda), contrariou as declarações do ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, de que a gasolina poderia sofrer reajuste ainda este ano. Mantega informou que não há perspectiva de reajuste.

Em Campo Mourão, a indecisão já tem deixado alguns donos de postos apreensivos. De acordo com o gerente de um estabelecimento na cidade, que preferiu não se identificar, o reajuste refletirá diretamente no bolso do consumidor. A tendência é que a venda também sofra queda, preocupou-se. O consumidor seria diretamente afetado, falou.

O proprietário de outro estabelecimento na cidade, Wagner Canapini, também está preocupado com a possibilidade do reajuste. Segundo ele, o ideal é que os preços permaneçam como estão. Estamos antenados ao caso. Se houver o reajuste, quem vai pagar mais pelo produto é o consumidor, argumentou. Segundo ele, a venda da gasolina atualmente se iguala à do etanol. Para nós é vantajoso que os preços não aumentem, ressaltou, na esperança de que o governo não libere o reajuste.

No município, de acordo com a última pesquisa de preços da Unidade de Proteção e Defesa ao Consumidor, Procon, o preço da gasolina comum nos estabelecimentos têm variação de 4,94%. O menor preço para o litro do produto é R$ 2,63, enquanto o maior, 2,76. Já para o combustível aditivado, a variação foi um pouco menor, de 4,48%, com menor preço a R$ 2,679 o litro; e maior, R$ 2,799. Por fim, para o diesel, a variação nos valores é ainda menor: R$ 2,44%. O litro do combustível mais barato é comercializado na cidade a R$ 2,05, enquanto o mais caro a R$ 2,10.

Ainda sobre o aumento, por meio de nota à imprensa, Mantega disse também que não garantiu ao comando da Petrobras reajuste de preços dos derivados. O anúncio de reajuste de 7,83% no preço da gasolina e de 3,94% no do diesel, em 22 de junho, não foi suficiente para equilibrar as contas da estatal. A mudança não alterou o preço final do combustível, porque no mesmo dia a Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) foi zerado, a fim de evitar os efeitos inflacionários da medida. Em menos de um mês, em 12 de julho, a Petrobras anunciou nova alta no preço do diesel, que gerou um aumento de 4% na bomba para o consumidor final.

Os ganhos nos papéis da estatal também seguiram, na quarta-feira, tendência registrada desde que a Petrobras fez uma espécie de “faxina contábil” após anunciar o primeiro prejuízo em mais de 13 anos, e depois de a diretoria reafirmar que buscará novos aumentos nos derivados em busca da paridade para os preços dos combustíveis.

Etanol à gasolina

O diretor da Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP), Alan Kardec, disse ontem que o mercado de etanol não tem estoques suficientes para aumentar a mistura do combustível à gasolina de 20% para 25% antes de abril de 2013, quando a nova safra de cana se inicia.

“Não tem razão para se aumentar este ano (a mistura de etanol anidro). Se discute a partir de 2013”, disse Kardec no Encontro Nacional de Gás LP (Enagás), no Rio de Janeiro. Segundo ele, há uma tendência no mundo de queda no preço do açúcar, o que favorece o mercado de etanol. Mesmo assim, ele não acredita que haja oferta antes da próxima safra. Kardec lembrou que a atual safra de cana-de-açúcar se encerra em novembro.