Em Campo Mourão a coleta seletiva é feita desde 2001. Os caminhões passam em todos os bairros, de segunda-feira a sábado. Para isso, os materiais recicláveis devem ser colocados da forma correta. Mas um problema que os funcionários enfrentam é em relação aos vidros, que dependendo da forma que é colocado, pode machucar até mesmo outras pessoas e animais.
O auxiliar técnico ambiental da empresa responsável pela coleta, João Carlos Nogarolli Silva, diz que são sempre feitas orientações com palestras em escolas e empresas quanto a isso. O vidro pode estar quebrado ou inteiro. Não tem problema. Mas a gente pede para que a população tome os devidos cuidados. Não é só a questão do meio ambiente, mas também o bem estar do próximo. Outras pessoas e animais podem ir lá mexer.
Silva explica que o número de acidentes de trabalho que tem por conta de vidro é grande. Teve uma situação que o rapaz foi tirar uma sacola de lixo e como está em um saco preto, ele não sabe o que tem lá dentro. Ele foi puxar essa sacola e tomou sete pontos na perna.
O vidro é um dos materiais mais perigosos, segundo o técnico, portanto a orientação é que os vidros sejam colocados numa caixa tetra pac de leite, enrolados num jornal ou, se a pessoa tiver um pouquinho mais de tempo, colocar numa caixa e escrever vidro. Além disso, assim como os outros materiais recicláveis, sempre deixar separado do lixo orgânico. Vem muito atestado por causa disso. O trabalhador está recebendo o dia, mas acaba perdendo os benefícios que recebe além do salário, informou Silva.
O lixo reciclável pode ser colocado tudo numa sacola só, sempre tentando compactar para ficar mais fácil e diminuir o volume. Depois, esse lixo é separado nas cooperativas. Outro fator importante é limpar esse material, passando água para tirar o excesso e deixar secar. Como explica o técnico ambiental, se for colocada uma caixa de leite sem limpar ou uma lata de sardinha sem tirar o resíduo, outros materiais serão danificados e não poderão mais ser usados. Além disso, se estiver devidamente limpo, não irá atrais baratas, insetos, ratos ou cães e gatos, diz Silva.
Mas ele lamenta que são poucos os que separam o lixo no município. Segundo ele, não chega a 5% da população ainda. Não precisa ser uma tortura. É muito simples de fazer. Estamos trabalhando para que as pessoas aumentem esse hábito.
Cooperativas
As cooperativas responsáveis pela separação de lixo em Campo Mourão são a Associação dos Trabalhadores com Materiais Recicláveis e Prestação de Serviços da Vila Guarujá (Associguá) e a Cooperativa de Resíduos Solidários (Cooperresiduos). Cada uma recebe um caminhão da coleta por dia.
Segundo a coordenadora da Associguá, Eudete Rodrigues Grassi, a ‘Detinha’, cada uma recebe em média de 6 a 7 mil quilos de vidro por mês. E a falta de consciência de algumas pessoas acaba sendo um problema. Tem pessoas que colocam vidro no meio do papel sem embalar certinho, aí os trabalhadores têm de ter cuidado. Tem de ter uma maneira certa de pegar, para não machucar. Preferimos que venha inteiro. Mas se estiver quebrado tem que ser embalado com papelão ou num jornal.
As empresas recebem todos os tipos de vidro. Alguns são vendidos inteiros para pessoas do município e da região, como garrafões e alguns litros de bebidas. Além disso, vidros de conserva menores, como de palmito e azeitona. O restante é comprado por uma empresa próximo à Maringá que separam por cores e moem os vidros. Nós não temos a técnica nem o espaço para fazer isso aqui, por isso é enviado para lá.
Coleta seletiva
A coleta seletiva é feita em todos os bairros de Campo Mourão, na área rural, na usina e também no Distrito de Piquirivaí.
Todos os materiais recicláveis devem ser colocados na calçada apenas no dia da coleta seletiva, separado do lixo comum, a partir das 8h. Podem ser colocados papel, papelão, vidro, plásticos, metais, alumínio e outras embalagens. Lembrando que lâmpadas, pilhas, baterias e lixo eletrônico não devem ser descartados junto ao resto do lixo.
Campanhas
A empresa Seleta, em parceria com a secretaria do meio ambiente, está fazendo diversas campanhas. Uma delas foi realizada do dia 13 a 18, para recolher lâmpadas, pilhas e baterias. Do dia 17 a 22 de setembro, a campanha será realizada novamente. Além desta, estão organizando também uma para recolher o lixo eletrônico, mas a data ainda não está definida.
Outra iniciativa começou já nesta segunda-feira (20), que é a Gincana Ambiental, com os colégios Marechal Cândido Rondon, Dom Bosco e Antonio Teodoro de Oliveira. A duração será de três meses. A atividade será arrecadar materiais recicláveis, sendo que serão feitos sorteios para os alunos da escola vencedora.
E ainda há o projeto Dia no Parque, em que é feito o plantio de mudas de árvores. Cada escola é levada para um parque diferente, sendo eles o Parque do Lago, Parigot de Souza, Parque das Torres e Parque Industrial. No dia, são feitas gincanas e brincadeiras também junto com a Fundacam.