Em maio, o edital publicado pela Justiça do Trabalho de Campo Mourão sobre a venda do Country Club de Campo Mourão causou surpresa em muita gente. A diretoria nega que a venda tenha sido efetivada e os supostos compradores não quiseram se manifestar para confirmar ou negar a transação.
Hoje o Country possui 230 sócios proprietários e 460 sócios contribuintes. O atual diretor do clube, Juacir Piacentini, explicou que não foi notificado por nenhum oficial de justiça sobre o leilão. Por falta de informação da Justiça do Trabalho, que não nos notificou, tivemos o nosso patrimônio colocado a leilão. Como não fomos notificados e sem ter o conhecimento da marcação da praça, o imóvel do clube avaliado em R$ 12 milhões foi arrematado por R$ 2,1 milhões, relata, antes de explicar que o motivo do leilão foi o residual de custas judiciais pendentes da quitação de uma ação trabalhista. Uma ação que a diretoria estava questionando.
Segundo ele, no dia da compra, a diretoria tomou conhecimento do problema e quitou o débito que originou o leilão. Dentro do prazo legal de 24 horas, quitamos os R$ 8,2 mil e recebemos da Justiça do Trabalho o recibo de remissão para não haver mais contestação. Piacentini relatou ainda que embora a direção acreditasse que o problema estava parcialmente encerrado, no dia seguinte, houve nova intimação da Justiça do Trabalho obrigando o clube a pagar a comissão do leiloeiro – R$ 70 mil – dentro de 24 horas. A notificação ainda dizia que estávamos sujeitos a prevalecer a ordem de arrematação do imóvel. Consultamos nosso departamento jurídico que entendeu que não devíamos efetuar o referido pagamento de comissão, uma vez que a venda não foi concretizada.
Uma ação foi movida na justiça do trabalho contestando a obrigatoriedade do pagamento. Como não foi aceito pelo juiz, o clube entrou com um recurso no Tribunal Regional do Trabalho. Esse agravo está aguardando julgamento de mérito ainda. Não há decisão neste sentido, explica. Entendemos que foi uma sentença injusta e precipitada do juiz responsável pela primeira instância. Mas temos plena convicção de que os desembargadores irão reverter a decisão neste episódio triste, completa. A TRIBUNA entrou em contato com a família que teria arrematado o clube, mas ela negaram qualquer esclarecimento, inclusive se havia acontecido a compra ou não.
Dificuldades financeiras
Piacentini ressaltou que o clube vem passando por algumas dificuldades financeiras, assim como aconteceu com os demais locais de lazer da cidade. Para ‘driblar’ a crise, ele não descartou que seja necessária a venda de parte do terreno. Os problemas começaram depois do plano real. Até então a gente contava com 1.500 sócios e os títulos eram vendidos por um bom valor, gerando uma receita compatível até para investimentos, destaca ao colocar que motivados por uma economia mais ‘realista’, as pessoas precisaram cortar despesas consideradas supérfluas. Com isso muitos deixaram de contribuir. O que fez com que funcionários fossem demitidos, e trouxe outros problemas administrativos.
Ele citou ainda a falência do Clube Mourãoense e a constante necessidade do Clube 10 de Outubro de vender parte do seu terreno para quitar dívidas. Não é diferente com o Country, que necessita vender uma pequena parcela do seu imóvel para quitar dívidas sociais.
Histórico do clube
O Country Clube foi fundado em agosto de 1966, por iniciativa de José Antonio Rossiter do Nascimento. Com uma área de 36 mil m2, o clube começou das margens do Rio do Campo até a Rua Chafic Bader Maluf. A primeira diretoria teve como presidente e vice, os médicos José Luiz Tabith e Germano Traple, pioneiros da área em Campo Mourão. É uma história de 46 anos, na qual muitos contribuíram para o sucesso e o crescimento do Country.