Operação internacional contra pedofilia prende mourãoense

Ontem pela manhã um homem de Campo Mourão foi preso e levado a sede da Polícia Federal (PF), em Maringá, para prestar esclarecimentos sobre seu envolvimento em uma Operação Internacional contra a pedofilia. A Operação denominada Glasnost foi deflagrada em todo o país como resultado de uma investigação de dois anos. Foram identificados mais de 200 envolvidos com a produção e o compartilhamento de imagens relacionadas a exploração sexual de crianças e adolescentes na internet. Sete pessoas do Paraná foram presas e a equipe de policiais envolvidos com a Operação Glasnost também identificou dois brasileiros residentes nos Estados Unidos. Eles estão sendo investigados com a colaboração do FBI e da Interpol.

De acordo com o delegado que comandou as investigações, Flávio Palma Setti, essa é a maior operação realizada no combate a disseminação de pornografia infantil na internet. Dela participaram em torno de 400 policiais, e foram cumpridos mandados em 11 estados diferentes, 45 municípios. É uma operação de grande envergadura e durante o cumprimento dos mandados estão sendo obtidos volume grande de materiais relacionados a pornografia infantil, afirma.

Nessa etapa, foram expedidos 85 mandados de busca e apreensão, 30 de condução coercitiva – quando o juiz determina que o acusado seja levado a força para prestar depoimento -, e um de prisão preventiva. Esses mandados resultaram em 20 prisões em flagrante em todo o Brasil: sete delas no Paraná, sendo que uma foi em Campo Mourão. Entre os alvos da operação há pessoas de variadas idades e profissões, incluindo um Policial Militar, um oficial da Aeronáutica, alguns professores, bem como um chefe de grupo de escoteiros.

Setti explicou que as investigações começaram com a prisão de um pedófilo no Paraná. Ele fez menção a um site russo que seria utilizado para a troca de informação de pornografia infantil para pessoas interessadas de todas as partes do mundo. Esse fato chamou a atenção. Na sequência foram feitas mais duas prisões em decorrência daquela e em ambas, foi citado o mesmo site. Esse site acabou sendo o ponto de convergência citado por inúmeros pedófilos presos naquela ocasião e continuou se repetindo. Cada novo pedófilo que a gente prendia fazia menção mais cedo ou mais tarde ao site, coloca.

Com base nessas informações, as investigações passaram a ser exclusivamente sobre os brasileiros que faziam parte do site. Nele, a pessoa cria um perfil e por meio deste, ela posta alguns álbuns de fotos. Algumas dessas fotos são públicas, qualquer pessoa pode ver, e algumas são privadas. A investigação começou com as fotos públicas e no decorrer, os agentes federais descobriram que havia polícias de outros países investigando o endereço eletrônico. Contamos com apoio que foi muito importante da Interpol. Pelas informações constantes no site, obtivemos uma série de endereços de e-mail, perfis de redes sociais, nomes de usuário e começamos a trabalhar em cima disso.

No momento inicial foram identificados em torno de 60 brasileiros usuários, com a colaboração internacional, esse número passou de 200. As investigações seguiram até que conseguimos obter a materialidade do delito, ou seja, a prova com imagens de crianças sendo abusadas sexualmente postadas não só pelo site, mas também por esses usuários, relata Setti.

Abuso

Um dos investigados que já foi identificado abusava sexualmente da própria filha, de apenas cinco anos de idade, e compartilhava imagens destes abusos na internet, com outros pedófilos ao redor do mundo. Além desta, houve outras três situações de pais ou pessoas próximas que praticavam o abuso e colocavam a prova do crime como ‘vantagem’ na internet. Foram imagens revoltantes, algumas são de bebês de seis meses de idade. No decorrer da investigação, foram identificados esses possíveis casos de abuso e tomadas medidas imediatas para fazer cessar, enfatiza o delegado que conduziu a operação.

Segundo ele, esse é um problema relativamente comum entre as pessoas que se interessam pela pornografia. Além de incentivar essa prática absurda, acabam produzindo imagens de pornografia infantil para usar como moeda de troca e conseguir novas imagens. Isso acaba sendo um fator extremamente grave desse tipo de crime.

Todo o material coletado durante o cumprimento dos mandados de busca será periciado e analisado a fim de que sejam identificados abusadores e produtores de material pornográfico infanto-juvenil, podendo servir ainda de base para o início de novas investigações.

Busca e apreensão

No Paraná, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em Campo Mourão, Ubiratã, Paranavaí, Maringá, Londrina, Apucarana, Santo Antônio da Platina, Mandirituba, Almirante Tamandaré, Fazenda Rio Grande e Curitiba.